Assunção é vítima da ovada por conta de seu aniversário de 36 anos
O Palmeiras já traçou este caminho antes: ganhar a Copa do Brasil e um título internacional antes de entrar de cabeça para conquistar a Taça Libertadores. Foi entre 1998 e 1999, quando o Verdão faturou três torneios.
A única diferença é que, naquela época, a segunda competição mais importante do continente se chamava Copa Mercosul. Atualmente, é a Sul-Americana, que o time de Felipão começa a disputar hoje, a partir das 21h50, contra o Botafogo, na Arena Barueri.
“Tomara que aconteça a mesma coisa dessa vez”, pediu Marcos Assunção. O volante acredita tanto nisso que resolveu adiar os planos de aposentadoria. A ideia inicial do jogador, 36 anos completados na semana passada, era encerrar a carreira em dezembro. Mas aí o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil... Isso significa classificação para a Libertadores de 2013 e a chance de repetir o que Felipão já ganhou há 13 anos.
“Estamos conversando com a diretoria. Não adianta nada eu querer e eles, não. Mas eu desejo muito disputar a Libertadores do próximo ano. Ainda tenho alegria de vir aqui treinar todos os dias”, explicou Assunção.
Em 1998, Felipão usou a então Copa Mercosul como laboratório. Queria explorar alternativas que poderiam ser aplicadas no ano seguinte, na conquista da América. Deu certo.
Testou atletas, formações... Concedeu oportunidades a jogadores jovens e outros com mais experiência internacional. Pretendia observar como reagiriam em competições de mata-mata. Na época, Arílson (ex-Grêmio) recebeu chances, assim como o atacante Almir (ex-Santos), Magrão, Tiago e Juliano. Apenas nas fases finais, o time principal acabou sendo utilizado. O gol decisivo, contra o Cruzeiro, no Palestra Itália, foi marcado pelo lateral Arce.
“Alguns precisam mesmo dessa experiência. A gente não pode comparar as coisas. A Libertadores é um torneio muito mais difícil que a Sul-Americana”, completou Assunção, vítima da tradicional ovada ontem — apesar de não ter sido o dia do seu aniversário.
De novo
Felipão já anunciou a intenção de repetir a dose na Sul-Americana. Se deu certo antes, por que não daria agora? Mas há diferenças: o elenco atual é bem menos qualificado do que aquele do fim dos anos 90. O próprio sistema de disputa mudou. Na Mercosul, havia fase de grupos e, em seguida, o mata-mata. Na Sul-Americana, serão duelos eliminatórios (ida e volta) do início ao fim.
Em 2010, o clube chegou bem perto da taça. Perdeu de forma traumática, em casa, para o Goiás, nas semifinais. Para jogar sal na ferida, levou a virada após estar vencendo por 1 a 0.
“Não se trata de sentimento de vingança. Mas temos de aprender com os erros e não repeti-los. Foi uma lição importante para a Copa do Brasil, por exemplo”, disse Assunção, que pede a continuidade de Scolari no comando em 2013.
O treinador fica sem contrato em dezembro e ainda não se comprometeu com a renovação. Existe a séria possibilidade de que deixe o Palestra, cansado dos constantes problemas de bastidores do Palmeiras. Algo que a conquista nacional do mês passado pode mudar.
É possibilidade, não certeza.
Se isso acontecer, vai ter muito palmeirense feliz. Um deles será Marcos Assunção.
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