COMENTÁRIOS FAÇA SEU COMENTÁRIO!

500 caracteres disponíveis

Todos os comentários publicados no site do Diário de São Paulo só serão publicados após avaliação da equipe web, o que pode gerar atraso na liberação de algumas mensagens.
Mensagens ofensivas, ou com palavras de baixo calão não serão publicadas.
O Diário de São Paulo não se responsabiliza legalmente pelo conteúdo dos mesmos.
Ao publicar mensagens no site do Diário de São Paulo, o internauta autoriza imediatamente a publicação do mesmo na edição impressa.
É fundamental que o nome completo e os dados de contato (e-mail) estejam corretos.
O Diário de São Paulo dá-se ao direito de não publicar mensagens suspeitas de spam, ou que contenham qualquer forma de discriminação.
Termos chulos ou ofensivos serão barrados.

codigo

aceito as cláusulas da politica de privacidade

Diário de São Paulo

VERSÃO
IMPRESSA
VERSÃO
IPAD
DOMINGO
19 MAIO
24/07/2012 00:40

Espelhos não muito distantes

Alberto Dines

O governo está por um fio, aumentam as defecções, cresce a pressão internacional, as tropas de Bashar El-Assad já enfrentam os rebeldes nas ruas da capital, Damasco. O desfecho  da revolução síria é previsível, mas os desdobramentos deverão transcender o ciclo de rebeliões populares na África do Norte, conhecido como Primavera Árabe. O noticiário sobre a Síria acompanha as ações bélicas  na derrubada de uma dinastia de déspotas que  dura 41 anos. Às vezes, assomam velhas rivalidades tribais, em outras é possível identificar tensões em etnias ansiosas por soberania (curdos e drusos). O confronto entre as várias correntes islâmicas (alauitas e xiitas contra sunitas e waabitas), na realidade representa a explosiva polarização político-religiosa entre a Arábia Saudita e o Irã. Sem a Síria, o Irã volta à condição asiática. 

A historiadora americana Barbara Tuchman (1912-1989) celebrizou-se através de um jogo temporal comparando situações em séculos diferentes, um deles intitulado “Distant Mirror”, “Espelho Distante”, sobre o calamitoso século 14. Com o recurso do espelhamento,  oferecia chaves para entender  problemas contemporâneos, convite irrecusável para buscar analogias e simetrias. A sangrenta guerra civil espanhola (1936-1939) não foi apenas um conflito interno entre o golpismo fascista-clerical do caudilho Francisco Franco e a centro-esquerda legalista-republicana. Foi o ensaio da 2 Guerra Mundial onde a Alemanha e a Itália fizeram um exercício da guerra total com  emprego maciço da aviação contra a população. 

Franco ganhou a guerra dita civil, instalou um regime sanguinário mantido por quase quatro décadas, mas a Espanha tornou-se uma monarquia parlamentar tão republicana quanto a Suécia. A crise que devasta a sua economia e fragiliza suas instituições, se examinada através do sistema Tuchman de espelhos, certamente nos ajudará a entender como o desemprego e a desesperança, fomentados e manipulados pelo fanatismo, serviram para a ascensão do nazismo na Alemanha.

outros textos O grande marqueteiro Pelo fim do caos logístico Primeiro de Maio O colchão e a arte 1 + textos Comentários Carregando...