Diário de S. Paulo

11/01/2018 - 22:07

Agência de risco rebaixa nota de crédito do Brasil

Com o novo corte, rating fica 3 degraus abaixo do grau de investimento. S&P cita atraso nas reformas

Foto: /Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A agência internacional de risco Standard&Poor's (S&P) rebaixou, na noite desta quinta-feira (11), a nota de crédito soberano do Brasil de "BB" para "BB-". Com isso, o rating do Brasil segue sem o selo de país bom pagador, mas agora três degraus abaixo do grau de investimento. Já a perspectiva para a nota mudou de negativa para estável.

A perspectiva estável significa que a agência terá de esperar ao menos seis meses para alterar a nota. O grau de investimento representa a garantia de que o país não corre risco de dar calote na dívida pública.

O rebaixamento era esperado por parte do mercado em razão das dificuldades de o governo no para conseguir a aprovação da reforma da Previdência.

Na justificativa para a decisão, a agência apontou como "uma das principais fraquezas do Brasil" o atraso na aprovação de medidas fiscais que reequilibrem as contas públicas.

"Apesar de vários avanços da administração Temer, o Brasil fez progresso mais lento que o esperado em implementar uma legislação significativa para corrigir a derrapagem fiscal estrutural e o aumento dos níveis de endividamento", destacou a S&P, acrescentando que a incertezas por causa das eleições de 2018 agravam esse cenário.

Além da dificuldade em aprovar reformas com efeitos de longo prazo, a S&P destacou ainda que "ocorreram retrocessos até mesmo medidas fiscais de curto prazo - como uma determinação para suspender o adiamento das altas de salários dos funcionários públicos e as contribuições de segurança social dos trabalhadores do setor público".

Após o anúncio da decisão, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (foto), lamentou que o Congresso não tenha aprovado a reforma da Previdência até agora.

Além desta, Meirelles mencionou entre as medidas ainda não aprovadas a reoneração da folha de pagamento de empresas, a taxação dos fundos exclusivos, o adiamento do aumento dos servidores públicos (suspenso por decisão liminar do STF) e o aumento de 10% para 14% da contribuição previdenciária dos servidores.

Em maio do ano passado, a agência chegou colocar o Brasil em observação para um iminente rebaixamento após as delações dos irmãos Batista envolvendo Temer, mas em agosto retirou o alerta e manteve o rating do país em moeda estrangeira e local em "BB" e em perspectiva negativa.

A confirmação do rebaixamento é um revés para a equipe econômica. Em janeiro de 2016, Meirelles chegou a dizer em entrevista à Bloomberg, em Davos, que o Brasil estava muito perto de recuperar o grau de investimento. /Com informações do G1 e Ag. Brasil

S&P recomenda presidente com capital político

Apesar do rebaixamento, a agência colocou o Brasil em perspectiva estável - ou seja, sem previsões para novo corte no curto e médio prazo. Isso se justifica, segundo a agência, "perfil externo comparativamente sólido do Brasil e a flexibilidade e credibilidade de sua política monetária e cambial".

A S&P destaca ainda que, embora o Brasil tenha saído da recessão, ainda deve registrar crescimento mais baixo que outros países, especialmente por causa dos "altos déficits do governo central persistem". Para 2017 e 2018, a previsão do governo é fechar as contas com rombo de quase R$ 160 bilhões.

A S&P avalia que o candidato que sair vencedor das eleições presidenciais em 2018 precisará de apoio político para aprovar medidas fiscais no Congresso, mas não aposta nesse cenário.

"A falta de apoio substancial na classe política brasileira para fortalecer e medidas fiscais mais rápidas enfatizam o quão importante será para o próximo presidente do país começar com um importante capital político e rapidamente passar medidas corretivas que tenham impacto", diz a S&P.

A agência citou ainda as turbulências políticas como fator que piora as perspectivas, fazendo alusão à Lava Jato.


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