Diário de S. Paulo

11/01/2018 - 16:18

Policial diz que dirigia o Camaro, mas nega racha

Segundo testemunhas, ele apostava corrida com o motorista da Mercedes que bateu em carro de família, matando duas mães

Foto: Fotos de reprodução

A Polícia Civil investiga a participação de um investigador da instituição no acidente que matou duas pessoas na noite de terça-feira, na Rodovia dos Imigrantes. Nesta quinta-feira (11), o agente de 46 anos, que trabalha no 6º DP (Cambuci), apresentou-se ao delegado do caso e afirmou que dirigia um Camaro, mas negou ter participado de qualquer racha na via.

Segundo testemunhas, o policial apostava corrida com André Veloso Michelleti, 50, motorista da Mercedes que bateu na traseira de uma Ecosport com oito pessoas, matando duas mulheres.

A família das vítimas voltava de uma viagem da Praia Grande, litoral, e seguia para Suzano, na Grande São Paulo.

Michelleti teve prisão preventiva decretada pela Justiça por ter dirigido com velocidade acima de 200 km/h. Ele foi levado ao presídio de Tremembé, no interior.

Em depoimento à polícia, o investigador disse que só ficou sabendo do acidente pela televisão. Ele afirmou que estava com seu filho de 12 anos a caminho de Caieiras.

O agente relatou ainda que dirigia de acordo com a velocidade da via, 120 km/h. Em relação ao carro de luxo (com preços a partir de R$ 200 mil), o policial disse que o veículo está no nome de outro filho.

Porém, como o jovem está com a carteira de habitação suspensa por excesso de multas, o agente, segundo disse em seu depoimento, resolveu tirar o carro de Mongaguá "para não chamar atenção" e levá-lo para Caieiras.

A polícia busca saber como ele conseguiu comprar o carro de luxo com o salário de policial civil, mesmo que esteja registrado no nome do filho.

Segundo o delegado Rui Diogo da Silva, do 3º DP de São Bernardo, ainda é "primário" dizer se o agente tem envolvimento ou não no caso.

As investigações estavam na delegacia da cidade do ABC, mas agora foram transferidas para a Corregedoria da instituição, já que há suspeita do envolvimento do agente.

A polícia chegou até o investigador por meio de uma testemunha que anotou a placa do Camaro e fez a denúncia pelo telefone 190 da PM.

HISTÓRICO/ Segundo o jornal "Folha de S. Paulo", o investigador já foi preso em flagrante por extorsão, em 2001.

Ele recebia dinheiro de familiares de criminosos presos com veículo roubados. Segundo a reportagem, o policial teria exigido, junto de outros dois colegas, R$ R$ 100 mil para mudar a acusação de roubo para receptação da carga, livrando assim os ladrões da cadeia.

A Secretaria de Segurança Pública, sob gestão Geraldo Alckmin (PSDB), não havia informado, até o fechamento desta edição, se o investigador será afastado de suas funções.

Polícia busca testemunha que ligou pelo 190

A partir de hoje, a Polícia Civil vai procurar pela testemunha que ligou pelo 190 e passou a placa do Camaro que era dirigido pelo investigador.

Segundo a Polícia Civil, a testemunha estava no local do acidente e presenciou o ocorrido na terça-feira à noite.

Em relação às câmeras de segurança, o delegado Rui Diogo da Silva, do 3º DP de São Bernardo, que era responsável pelas investigações até ontem, informou que não havia equipamentos no local exato do acidente.

"Conseguimos imagens entre os km 51 e 35, onde é possível ver um Camaro e um Ecosport, que ainda não sabemos se são os mesmos, mas não deu para ver o Mercedes", disse Silva. As imagens mostram, em um período de 30 segundos, os veículos passando, mas não diz muito sobre o ocorrido.

A Ecovias, concessionária responsável pela Imigrantes, informou que não possui imagens do acidente, pois a câmera estava apontado para direção contrária.

A concessionária disse ainda que contribui com equipamentos de fiscalização, mas punir não é de sua responsabilidade.


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