Diário de S. Paulo

10/01/2018 - 18:08

Governo reabre parques, mas alerta sobre cuidados

Governo reabre três espaços de lazer que haviam sido interditados no ano passado. Secretários apostam na 'conscientização' dos frequentadores para entrarem nos locais só após serem vacinados

Por: Ana Paula Bimbati
[email protected]

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Secretaria Estadual da Saúde reabriu nesta quarta-feira três parques na capital: o Horto Florestal e o Cantareira, ambos na Zona Norte, além do Ecológico do Tietê, na região Leste. Os espaços haviam sido interditados em outubro e novembro do ano passado como medida de prevenção à febre amarela.

Os locais foram fechados após a morte de macacos bugios infectados pela doença. De acordo com a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), dos mais de 2,4 mil macacos encontrados sem vidas na região metropolitana, principalmente em Mairiporã, entre julho de 2016 até esta quarta, 617 testaram positivo para o vírus.

A pasta da Saúde informou que a reabertura dos três parques foi possível após a força-tarefa feita nas regiões para vacinar a população. Mais de um milhão de pessoas foram imunizadas nesses locais.

O secretário estadual de Saúde, David Uip, disse que não haverá controle na entrada e espera "responsabilidade" e "zelo pessoal" dos frequentadores. Os espaços de lazer terão faixas alertando os usuários a entrar nos locais 10 dias após tomarem a vacina, período mínimo para o organismo estar totalmente imune.

"Estamos diante de uma população que está vacinada. Não tem motivo para não reabrir os parques", afirmou Uip.

O secretário estadual do Meio Ambiente, Maurício Brusandi, afirmou também esperar que apenas as pessoas imunizadas frequentem os espaços de lazer. "Aqui é área de risco, sim, para quem não está vacinado. Não terá (controle), apenas orientação, e a gente acredita na conscientização da população ao ver a placa", explicou Brusandi. O secretário disse que a reabertura só foi decidida após estudos feitos pela pasta do Meio Ambiente e Verde.

Outros 23 parques, da Prefeitura, continuam interditados. Segundo o município, ainda não há data para eles serem reabertos.

Mais de 2,6 mi receberão dose fracionada na capital

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que 15 distritos da capital vão receber a vacina fracionada (veja lista ao lado). Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a campanha para imunizar a cidade e outros 53 municípios do estado vai começar em 3 de fevereiro, o Dia "D".

O objetivo, segundo a pasta, é proteger a população preventivamente. O governo pretende imunizar 2,6 milhões de pessoas na capital e 6,3 milhões em todo estado.

"Não há mudança de eficácia entre a vacina fracionada e integral. O que estamos discutindo é o número de anos que ela persiste. Hoje nós sabemos que ela protege totalmente, integral, pelo período de 8 anos", disse o secretário estadual de Saúde, David Uip.

A ideia é que regiões de maior risco recebam a dose primeiro. "A Sé e a Paulista, por exemplo, são as que têm menos risco, devem ser as últimas", explicou.

O chefe da pasta informou ainda que não faltará vacina no estado. Ontem, o ministro da Saúde, Ricardo Bastos, também afirmou que "não há risco de desabastecimento".

Uip fez questão de frisar que São Paulo não vive uma epidemia, nem surto. "Estamos alertando, não estamos alarmando. O estado tem a situação em absoluto controle. Não vai haver epidemia, pandemia, mas, infelizmente, vamos ter mais casos."

REDE DE Transplante/O governo também informou ontem que está desenvolvendo uma rede de transplante de fígado para casos de hepatite fulminante. A febre amarela, em alguns casos, ataca o órgão e pessoas contaminadas pelo vírus necessitam de transplante, como ocorreu com a engenharia de 27 anos, que está internada no Hospital das Clínicas.

Segundo a pasta, ela tem estado de saúde estável.

 

Balanço de casos

O secretário David Uip disse que cabe somente ao estado a confirmação dos casos de febre amarela e as mortes ocorridas pela doença. "Esse governo não mente, não falseia número, não adia informações. Aquilo que falamos é absolutamente correto. O município acha, o hospital acha, ninguém acha. Quem confirma é a Secretaria de Estado da Saúde", disse.

A declaração ocorreu após a divulgação de mais três mortes pelo vírus na terça-feira em Atibaia (2 casos) e capital. Oficialmente são 13 óbitos no estado.

A pasta disse que disponibilizará um novo balanço amanhã .

29

casos da doença foram registrados oficialmente em SP

Postos de saúde têm filas para aplicação da dose

Quem resolveu tomar a vacina ontem enfrentou fila nos postos de saúde da capital. Foi o caso da produtora de eventos Letícia Costa, 23. Ela tem um casamento em Mariporã, onde a situação está mais crítica, no dia 20 e precisava tomar a dose para dar tempo de ela fazer efeito em dez dias. "A família toda correu essa semana, mas a gente não esperava enfrentar fila", relatou.

Letícia precisou de uma manhã inteira e duas UBSs na Zona Leste - Cangaíba e Penha - para ser vacinada. O problema também ocorreu na UBS Adelaide Lopes, Zona Norte. "Estava com minha filha de 9 meses e, como não tinha atendimento preferencial, aguardamos 2 horas", reclamou a jornalista Priscila Souza. Nos outros dois postos tampouco havia atendimento preferencial.

A Secretaria Municipal de Saúde justificou as enormes filas ao aumento da procura. Sobre o atendimento preferencial, disse que vai orientar os funcionários.

Comerciante e moradores vizinhos comemoram medida

Após três meses sem conseguir pagar as contas e enfrentar uma queda de mais de 90% nas vendas de sua banca de cocos, a comerciante Roseli Aparecida Gavioli, de 52 anos, ficou animada ao ver o Horto Florestal, na Zona Norte, reaberto.

"Os últimos meses foram bem difíceis, porque na época do ano (férias) que mais conseguimos guardar dinheiro, porque tem muito movimento, ficamos com poucos clientes", relatou.

Ela vendia por dia até 300 cocos, mas, com o fechamento do parque, as vendas caíram para, no máximo, oito. "Em 20 anos que tenho esse comércio, nunca tinha passado tanto sufoco como no fim do ano passado."

A aposentada Maria Donária Pacífico, 67, também comemorou a reabertura e disse que as suas tardes serão mais agradáveis com a possibilidade de caminhar pelo parque. "Andava aqui todo dia, fazia ioga e, apesar de ele ter sido fechado para proteger, todos os moradores ficaram chateados."

Ela e sua sobrinha, a comerciante Márcia Viana de Sousa, 32, moram na rua do Horto e frequentavam o local todos os dias. "Já dá até para tirar a calça jeans e vir caminhar mais tarde", brincou Márcia.

Elas consideram que todos devem se conscientizar e tomar a vacina para usufruir do parque.


Compartilhe: