Diário de S. Paulo

10/01/2018 - 17:59

'O Destino de Uma Nação' mostra desafios de Churchill

Filme retrata os discursos inflamados de Winston Churchill durante a 2ª Guerra Mundial

Por: Giovanni Oliveira
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Foto: /

A história da humanidade é dividida em dois períodos: pré-invenção da escrita e pós-invenção da escrita. A ideia de criar signos que possuem um determinado significado e, deste modo, transmitem mensagens que possibilitam a comunicação entre indivíduos é uma das maiores conquistas da nossa curta jornada neste planeta.

Ao longo dos anos, muitos foram aqueles que perceberam o potencial grandioso escondido nas palavras, e como elas poderiam inflamar multidões se bem escritas e discursadas. Hitler foi um deles. E Winston Churchill também. No longa "O Destino de Uma Nação", conhecemos um pouco mais da história, personalidade e talento daquele que evitou que o Reino Unido sucumbisse à ameaça nazista.

Sob a direção firme e bem realizada de Joe Wright, o filme tem como pano de fundo a 2ª Guerra Mundial, mas apresenta um recorte de tempo consideravelmente curto: ele acompanha a tomada de posse de Winston Churchill ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, no início de maio de 1940, até a execução da operação Dynamo, que salvou mais de 300 mil soldados, no final do mesmo mês.

Com uma trama assim, o longa se encaixa na lista de filmes baseados em personalidades históricas que servem como uma verdadeira aula, mas engana-se quem pensa que, por causa disso, o filme seja chato ou cansativo. Ao longo das duas horas de projeção, o clima de tensão e urgência é sempre presente, intensificado pela boa trilha-sonora de Dario Marianelli. Há ainda momentos mais leves, e até humor.

A fotografia e a montagem também auxiliam para que a atenção do espectador não se perca, mas sem sombra de dúvidas, é a performance de Gary Oldman na pele de Churchill o grande triunfo do filme. Interpretar personalidades históricas é algo muito difícil pois exige um grande trabalho de pesquisa, mas alguns atores se dedicam de corpo e alma ao trabalho e, assim, conquistam a audiência com seu desempenho. Gary Oldman é um exemplo.

O único problema do filme é a trama secundária da jovem Elizabeth Layton (Lily James), que tenta servir de respiro entre a presença quase onipresente de Oldman, mas não tem o destaque necessário para cumprir seu papel. Felizmente, isso não atrapalha a trama principal.

Um dos grandes lançamentos do mês, "O Destino de Uma Nação" merece a atenção do público não apenas por estar presente na maioria das premiações desta temporada, como o Globo de Ouro e o BAFTA, mas também por se tratar de um filme de ótima qualidade técnica e histórica.

Confira o trailer:

'Atualmente nós passamos da oratória para os emojis'

DIÁRIO_ Esta foi uma grande transformação. Qual era a chave para interpretar Winston Churchill?

GARY OLDMAN_ Eu estava tão livre com isso. Eu tinha feito muito trabalho nisso, e nós tínhamos ensaios, então eu sabia disso de cor e salteado. Eu nem tive que pensar sobre isso. Não era como eu estava na noite anterior, olhando as falas. Eu sabia; estava em mim.

Quão cedo você tinha de acordar e ir para o set para fazer a maquiagem?

Eles me pegavam às 2h30 da manhã, algo assim. Joe (o diretor) nunca me viu por três meses como Gary. Ele só me via como Winston. Havia um tipo maravilhoso de liberdade sobre isso. Foi libertador.

O que mais te impressionou sobre Churchill?

Você não pode fazer comparações. Não consigo pensar em um presidente ou um primeiro-ministro que mudou de partido duas vezes, escreveu mais palavras do que Shakespeare e Dickens juntos, escreveu 50 livros, pintou 500 quadros e teve 16 exposições na Royal Academy, ganhou o Prêmio Nobel de literatura, nos levou à guerra, durante a guerra, antes da entrada de Estados Unidos, quando eram realmente dias escuros. Então, quanto mais leio sobre ele, eu fico, "Deus, olha esse cara!".

Como você conseguiu obter essa maneira muito emblemática de falar?

Eu trabalhei com um cantor de ópera, um cara chamado Michael Dean. Ele é um professor e cantor, e nós trabalhamos onde os seus registros estavam em um piano. "Essa foi a nota mais baixa, e é aí que ele fala" - e então eu fiz o trabalho de voz com ele. Eu sou mais um tenor, e eu precisava desse baixo para bater de vez em quando.

Você acha que o filme tem relação com a política atual?

Nós não fomos tentando fazer algo nesse sentido. Hoje vivemos em um mundo muito diferente. Nós passamos da oratória para os emojis.


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