Diário de S. Paulo

07/12/2017 - 20:46

Funcionária do Santos é ex-sócia de empresa que recebeu comissão

Empresa de turismo usada por empresários em dívida por Gabigol tem ex-sócia como no clube, diretores no quadro de associados com endereço da empresa e entrou no Santos sem concorrência

Por: Ana Canhedo
[email protected]

Foto: Ivan Storti/Santos

Com sede em Indaiatuba, no interior de São Paulo, a empresa Cecília Viagens, usada pelo empresário Giuliano Bertolucci para pagar uma comissão pela venda de Gabriel Barbosa à Internazionale de Milão-ITA, em agosto de 2016, acumula um vínculo fortíssimo com o Santos nos últimos anos, o qual inclui cinco membros da família no quadro de associados e uma ex-sócia entre os funcionários do clube. Abaixo, o DIÁRIO explica.

Leia mais:

Agentes trocam comissão por dívida de turismo com empresa ligada ao Santos

A empresa, que se intitula de pequeno porte, passou a prestar serviços para o Alvinegro no primeiro semestre de 2015, durante o início da gestão do atual presidente Modesto Roma Júnior. À época, não houve qualquer tipo de concorrência com outras empresas para a comercialização de passagens aéreas e auxílio nas viagens ao longo da temporada, conforme apurado pela reportagem - o Santos alega trabalhar com o sistema de “cotação”.

Em 2015, a empresa contava com três sócios majoritários: Luiz Henrique Chagas de Almeida Luchesi, Maria Cecília Carvalho Chagas de Almeida Luchesi e Maria Isabel Chagas de Almeida Luchesi. Isabel faz parte do quadro de funcionários do Santos: é atualmente relações públicas no clube e mora na cidade litorânea. Filha de Cecília, abriu mão da sociedade na empresa de viagens no final deste mesmo ano.

Mesmo assim, aparece no documento datado de dezembro de 2016 como uma das sócias que recebeu, pela empresa de turismo, o valor de R$ 300 mil, pago pelo empresário Giuliano Bertolucci, como uma “gentiliza” à Good Luck Partner's, empresa da esposa de Wagner Ribeiro, que devia a quantia à Cecília Viagens por serviços de turismo e passagens aéreas. Na prática, o agente pagou indiretamente a Ribeiro comissão pela venda de Gabigol à Inter de Milão.

Um detalhe curioso é que a funcionária do Alvinegro, Isabel, passou a fazer parte do quadro de associados do Santos no dia 23 de agosto de 2016, quatro dias antes do Santos aceitar a venda aos italianos.

Outro fato interessante chama a atenção no que diz respeito à família Luchesi: quatro se tornaram sócios do Santos no dia 20 de setembro de 2016, usando o endereço da prestadora de serviços do clube, a Cecília Viagens. São eles: a própria Cecília Luchesi, seu marido, Raul, o outro sócio da empresa, Luiz Henrique e um outro Luiz, cujo segundo nome começa com “G” na listagem. Todos estão aptos a votar na eleição deste sábado.

Nas redes sociais, o empresário Luiz Taveira, braço direito de Modesto desde o período eleitoral, e o vice Cesar Conforti aparecem na lista de amigos de Cecília.

Conselho Fiscal questionou pagamento a intermediador

A transferência de Gabriel Barbosa para a Internazionale de Milão, da Itália rendeu atenção especial do Conselho Fiscal do Santos. Em ofício enviado, à época, ao Comitê Gestor e em reuniões com o jurídico do clube após o fechamento do negócio, o conselho questionou a necessidade de pagamento de comissão ao empresário que intermediou a venda à Itália.

No caso, o intermediador foi justamente Giuliano Bertolucci, designado pela Inter para representá-la durante as negociações. De acordo com o Santos, o agente conseguiu que o valor fosse aumentado pelos italianos, favorecendo os interesses de todos os envolvidos no negócio.

“A administração apresentou a justificativa de que, como houve a participação do empresário, comprovada pela assinatura das partes envolvidas no contrato de intermediação e essa remuneração foi dividida proporcionalmente, e havendo o interesse do clube na transação mesmo pelo valor mínimo, foi interessante essa participação para melhoria nas condições de pagamento e conclusão do negócio”, diz parte de um documento do Conselho Fiscal obtido pelo DIÁRIO.

Na ocasião, o Santos ficou com 18 milhões de euros (R$ 65 milhões) pela venda, valor mínimo estipulado em contrato para aceitar a venda. Gabigol foi vendido em agosto de 2016 por 29,5 milhões de euros (R$ 109 milhões), mas nunca conseguiu se firmar como titular na equipe e está emprestado ao Benfica.


Compartilhe: