Diário de S. Paulo

06/12/2017 - 19:56

Agentes trocam comissão por dívida de turismo com empresa ligada ao Santos

Responsável pela ida do atacante à Inter de Milão-ITA, Bertolucci usa prestadora de serviços do Alvinegro para pagar Wagner Ribeiro, que vê dívida da empresa da esposa ser quitada. Peixe alega desconhecer o caso

Por: Ana Canhedo
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Foto: Ivan Storti/Santos/12-2-2016

O empresário Wagner Ribeiro recebeu, por meio da empresa de sua esposa, R$ 300 mil de comissão pela venda de Gabriel Barbosa à Internazionale de Milão-ITA através de uma dívida quitada com a Cecília Viagens, empresa com sede em Indaiatuba e prestadora de serviços do Santos Futebol Clube. O pagamento, confirmado pelo DIÁRIO, foi feito pelo também empresário Giuliano Bertolucci. Procurado pela reportagem para comentar o caso, Wagner não respondeu às mensagens. Bem como sua esposa, que preferiu não se manifestar.

O documento, obtido com exclusividade pela reportagem, é datado de dezembro de 2016, é endereçado a Cecília Luchesi, uma das sócias da empresa de viagens. Nele, Carla Germinari Santamarina, esposa de Wagner Ribeiro, informa que os débitos de sua empresa, a Good Luck Partner’s serão acardos por Bertolucci. Não diz, porém, a razão da “gentileza” do agente. Estão entre os serviços pagos: agenciamento, gestão, promoção, intermediação e execução de programas de turismo, além de passagens aéreas. Vale destacar que a Good Luck se apresenta como uma empresa de marketing esportivo

Cecília não foi encontrada pela reportagem. Os telefonemas à sede da agência de viagens foram atendidos apenas por Raul Luchesi, que se identificou como seu marido. Raul disse desconhecer a razão da transferência da dívida de Carla a Bertolucci e tampouco soube dizer se, à época, Cecília foi informada a respeito. Uma pessoa ligada ao emrepsário confirmou à reportagem que o pagamento fez parte da comissão devida a Ribeiro pela venda de Gabigol. Já usar o nome da esposa e trocar dinheiro vivo pela "gentileza" teria sido uma exigência de Ribeiro.

Gabigol foi vendido à Inter de Milão em agosto de 2016, por 27 milhões de euros (R$ 99 milhões). O Santos teve direito a 18 milhões de euros (R$ 65 milhões) e o próprio jogador ficou com 9 milhões de euros (R$ 33 milhões). A Doyen Sports briga para receber 20% do valor da negociação, já que comprou uma fatia dos direitos do jogador ainda na gestão de Odílio Rodrigues no clube alvinegro - recentemente, Santos e Doyen sentaram para fazer um acordo.

Em maio de 2016, Wagner Ribeiro e Juan Figer chegaram a exigir do Peixe um pagamento de comissão para apresentarem uma proposta “secreta e vantajosa” da Europa por Gabigol. A proposta era do Chelsea, mas não vingou. Bertolucci entrou na história quando foi acionado pela Inter de Milão para representá-la no Brasil durante as transações. Além de Wagner, ainda tratou com Valdemir Silva, pai do jogador.

AMIZADES NO SANTOS/ Em nota, o Santos admitiu contar com os serviços da Cecília Viagens, mas alegou “desconhecer todos os fatos” citados pela reportagem. Cecília Luchesi, sócia da empresa de turismo, mantém boa relação com a cúpula alvinegra e prestas serviços ao clube desde o começo da gestão de Modesto Roma Júnior.

É amiga, por exemplo, de Cesar Conforti, vice-presidente do clube, em uma rede social, bem como de Luiz Taveira, braço direito de Modesto desde o período eleitoral. A empresa costuma negociar passagens aéreas e auxiliar o clube durante a temporada cheia de viagens. Todos os negócios são feitos diretamente entre o presidente alvinegro e os sócios da empresa. Além de Cecília, são eles Luiz Henrique Luchesi e Maria Isabel Luchesi.


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