Diário de S. Paulo

18/12/2017 - 18:17

Transexual é morta a pauladas em hotel

Larissa Paiva, de 25 anos, foi encontrada em garagem do estabelecimento, na Zona Norte, no domingo. Jovem paraense estava na capital desde 2010

Por: Jeniffer Mendonça 
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Foto:  Arquivo pessoal

Uma transexual foi encontrada morta dentro da garagem de um hotel após ser agredida a pauladas, na manhã de domingo (17), na Rua Voluntários da Pátria, na região de Santana, Zona Norte da capital.

De acordo com o boletim de ocorrência, Larissa Paiva, de 25 anos, era conhecida por fazer programas no bairro. Ela teria sido atacada por pelo menos quatro pessoas com vigas de madeira no local por volta das 5h.

Um funcionário do estabelecimento informou que ouviu "fortes estrondos" e que, quando o barulho parou, desceu até a entrada da garagem onde a vítima estava, na parte dos fundos, ensaguentada.

A jovem foi atingida com violência no braço direito, na perna esquerda e, principalmente, na região da cabeça.

O ativista LGBT Agripino Magalhães disse que soube do caso por meio da denúncia de uma travesti, amiga de Larissa, que flagrou e gravou em um vídeo o corpo no local. "Eram 15h e o corpo ainda estava lá, ninguém fazia nada", disse.

Ao DIÁRIO, uma amiga de infância da jovem, de 28 anos, e que preferiu não se identificar, disse que a conhecia desde os 7 anos, que ela chegou na capital paulista em 2010 e que nasceu na cidade de Tucuruí, no interior do Pará.

"Ela foi para São Paulo em busca de uma vida melhor para ajudar a mãe. Ela [Larissa] sempre ligava para a mãe dizendo que a amava. Nunca esperávamos acontecer isso. Era uma pessoa humilde. Os amigos estão muito tristes e revoltados", relatou. A mãe da vítima, de 54 anos, deve chegar na capital ainda hoje.

Para o advogado da família, a ausência de uma legislação específica para casos que envolvem mortes de LGBTs propiciam a impunidade.

"Foi um evidente crime de ódio. Nós temos uma qualificadora para as mortes de mulheres pela condição do sexo feminino [feminicídio], é preciso criar um dispositivo para essas pessoas também porque o que aconteceu foi preconceito", apontou José Beraldo.

O criminalista também afirmou que vai responsabilizar o hotel onde ocorreu a morte da transexual na área cível.

O caso foi registrado como homicídio doloso no 13º DP (Casa Verde) e encaminhado para investigação à 2ª Delegacia de Repressão à Homicídios - Equipe E-Leste, que integra o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que "diligências estão sendo feitas para identificar testemunhas e os suspeitos pelo crime".

O DIÁRIO tentou contato com a administração do Hotel Sombra, mas não teve retorno.


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