Diário de S. Paulo

14/12/2017 - 18:19

Estado vai entregar 56 escolas integrais

Unidades terão horário expandido a partir de 2018. Para secretário, ensino integral oferece melhor qualidade

Por: Ana Paula Bimbati
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Foto: Nelson Coelho/Diario SP

A Secretaria Estadual de Educação vai transformar 56 escolas da rede em tempo integral a partir de 2018. Com isso, o estado terá 593 unidades com jornada estendida, ou seja, quando os alunos cumprem carga horária superior a sete horas por dia.

Oferecer educação integral é uma das metas do PNE (Plano Nacional de Educação), que pretende ofertar em, no mínimo, 50% das escolas públicas, para atender, pelo menos, 25% dos alunos da Educação Básica.

Segundo a pasta, as escolas que terão o horário expandido têm os próximos três anos para realizar as adequações estruturais necessárias. As unidades que funcionam em tempo integral oferecem as disciplinas da Base Nacional Comum (matemática e português, por exemplo), além de aulas experimentais, projeto de vida (onde o aluno aprende sobre decisões do futuro) e tutoria.

Para o secretário de Educação, José Renato Nalini, o período integral oferece ao aluno um aprendizado mais efetivo, já que o horário expandido "não se traduzirá por acréscimo de aulas prelecionais, senão por atividades prazerosas".

"O ensino integral mostrou-se o mais adequado para oferecer ao estudante um ensino de melhor qualidade, com reflexo num aprendizado eficiente. Prova disso é que o Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de SP) de 2016 mostra que as escolas estaduais de Ensino Médio em tempo integral atingiram a marca histórica de 73,4% superior ao ano de 2012, primeiro ano do programa na rede paulista", disse.

O desafio, segundo Nalini, é ampliar o atendimento na rede pública e atender "às múltiplas expectativas dos jovens do Ensino Médio".

Nas escolas de educação integral, os professores têm direito à remuneração de 75% sobre o salário base, já que não têm a possibilidade de trabalharem em outras escolas, prática comum na rede.

Outra novidade é que essas escolas receberão R$ 2 mil por aluno por ano. A verba extra é de um acordo firmado entre o governo estadual e o Ministério da Educação.

 

Aluno diz ter aprendido mais e gosta de 'aulas sem professor'

Em seu primeiro ano em uma escola de tempo integral, Lucas Bueno, de 13 anos, disse ter aprendido muito mais em relação aos anos anteriores. Antes, ele estudava em uma escola privada.

"Tem muita vantagem estudar em uma escola assim, porque você tem mais tempo para tirar dúvidas, pode fazer outros tipos de aula e ter um contato diferente com a escola", contou o adolescente, que diz não ser cansativo ficar "tanto tempo fora de casa".

Lucas contou que além das disciplinas convencionais, ele tem a oportunidade de estudar assuntos diferentes. Este ano, por exemplo, ele participou das aulas de alquimia.

Além disso, o adolescente relatou ter experimentado participar de um clube (aulas que não têm a presença do professor).

"Nos últimos meses, eu e outros alunos fizemos uma aula de criação de games. A gente não precisa do professor nesse caso, porque é um assunto que gostamos e conseguimos aprender uns com os outros", relembrou.

Para Lucas, o mais interessante de ficar 7 horas dentro da escola é a possibilidade de descobrir suas habilidades. "Minhas notas melhoraram e a gente tem tempo para colocar em prática o que sabemos de melhor."

O adolescente disse que o projeto vida, onde os alunos aprendem sobre decisões do futuro, por exemplo, o ensina até sobre bons modos e como atuar em sua comunidade.


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