Diário de S. Paulo

07/12/2017 - 16:49

Maia tenta votar reforma até o último dia antes do recesso

Segundo o presidente da Câmara, ainda não há votos suficientes para aprovar a proposta. Líder do governo fala no dia 18 de dezembro

No dia considerado decisivo para o governo bater o martelo sobre a votação do texto da reforma da Previdência, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que, por enquanto, ainda não há nada definido, mas garantiu que vai "continuar trabalhando para a votação ainda este ano".

Ele afirmou que não contabiliza votos. "O meu cálculo é o ambiente para votar. Eu não posso colocar uma matéria dessa importância sem voto. É uma sinalização importante para o Brasil."

Nos bastidores, estima que a contagem esteja por volta dos 270 votos, número bem inferior aos 308 necessários para aprovar a medida. O governo quer, ao menos, 320, número considerado seguro para que Maia paute a proposta.

Nesta quinta-feira (7), o líder do governo da Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse ter combinado com Maia o início da votação para 18 de dezembro, cinco dias antes do início do recesso, o que o presidente da Casa não comentou.

Aos jornalistas, Maia admitiu que o prazo para votação, ainda em 2017, é curto. "Nossa agenda é curta, mas a gente precisa reunir condições para votar, temos, no máximo, dez dias, vamos trabalhar com esse prazo para criar condições. Por mais dificil que seja, a gente vai tentar isso até o último dia. A Câmara funciona atá o dia 22, temos que trabalhar com todas as datas possíveis", disse.

O presidente da Câmara classificou como um "equívoco" não aprovar a matéria. "Temos que construir, deputado a deputado, deputada a deputada, as condições para votar a reforma da Previdência. Independentemente se o partido está ou não na base, temos que rapidamente criar essas condições, como a gente já vem criando nas últimas semanas."

Para ele, o que os parlamentares precisam entender é que a aprovação do texto terá impactos positivos em todos os municípios e estados brasileiros, inclusive nos da oposição.

"A gente vê muito governador de oposição, quando vem a Brasília, na conversa conosco, apoiar a reforma da Previdência. A gente sabe que sem a reforma, estaremos comprometendo o futuro de milhões de brasileiros que precisam do Estado para melhorar sua qualidade de vida."

Em busca de apoio, o Palácio do Planalto não descarta até devolver cargos aos parlamentares punidos por votar a favor do prosseguimento das denúncias contra o presidente Michel Temer e a reforma trabalhista. A ideia é conversar bastante para convencer cerca de 30 indecisos a encampar a turma do sim pela reforma da Previdência..


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