Diário de S. Paulo

05/12/2017 - 19:14

A bola surpreende

Por: Marcelinho Carioca
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Foto: Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians

Muitos jogadores rotulados como baladeiros e da noitada carregam durante anos esse carma e, por muitas vezes, não conseguem vencer esse estigma e se afundam na vida. Foi com esse rótulo que muitos viram a trajetória futebolística promissora e vencedora ir por água abaixo. Era o caso de Jô, centroavante e artilheiro do Corinthians no Brasileiro.

Cada dia de treinamento e jogos ficava mais difícil para o atacante. Todos o tinham como “beberrão” e o  chamavam de “Jô Balada”. Era nítido o fraco desempenho, principalmente por volta dos 25 minutos do segundo tempo de uma partida, pois as pernas tremiam, perdia totalmente o arrance e o faro de gol. Entretanto, alguns que carregavam essa fama se mostravam o avesso. Quanto mais saiam, mas faziam gols. Casos de Romário e Renato Gaúcho. Lógico que, com o passar do tempo e a consciência falando mais alto, os dois mudaram. Portaluppi virou treinador exemplar, modelo de gestão e tricampeão da América, o único treinador e jogador a ganhar o torneio no Brasil. Já o Baixinho virou deputado federal, colocando ordem no Congresso, e, agora, senador da República, fazendo um trabalho exemplar.

Cada corpo reage de uma forma, mas tendo a consciência de que o principal instrumento de trabalho do atleta profissional de futebol é o corpo bem alimentado, treinado e descansado. O comentário nos bastidores era: “Jô terá a mesma trajetória e fim de carreira de Garrincha e Adriano Imperador. A bebida  terá mais força”. Mas a mudança de comportamento, de baladeiro para vida familiar, focado no trabalho, rendeu a artilharia do nacional e o título de heptacampeão do Brasil. Passou a ser exemplo para os mais jovens e hoje, no cenário da redondinha, se cogita Jô na seleção para a Copa. Nunca é tarde para virar o jogo.

Na Chapa

A chapa vai esquentar no Coringão nas eleições de 2018. Analisando correria e bastidores de quem será o novo mandatário alvinegro, vemos alguns corajosos e oportunistas. Esses chamados “pseudo conselheiros” olham interesses pessoais, não da instituição, mas, como o trabalho do jornalista é trabalhar dentro da ética, não o sensacionalismo, veremos as cenas dos próximos capítulos, pois a batata vai assar. Vale lembrar que alguns não poupavam farpas ao falar de Jô: “Esse não serve mais, é um beberrão, vai levar a molecada para o mau caminho”. Agora, fico pensando e imaginando qual será o novo discurso, pois o atacante virou artilheiro do Brasil e referência para a base, a qual o Corinthians, hoje, dá total atenção – os resultados estão aí, com Maycon, Pedrinho & Cia.

Esse grupo de conselheiros fanfarrões, oportunistas e saqueadores dos cofres da instituição tenta se aproximar do artilheiro, pedindo a amigos próximos a força do atacante. São oportunistas e caras de pau. O Corinthians rege uma nação apaixonada, maior do que qualquer um. Vamos ficar atentos para que esses “falsos conselheiros” não venham dar uma de gatinho manso, pois são lobos vestidos na pele de cordeiros.

Na Gaveta

Renato Gaúcho mostrou para o mundo da bola que jogar é fácil e comandar, mais fácil ainda, enquanto  muitos treinadores vão para fora do Brasil, para a famosa reciclagem.Bom trabalho e resultado em campo vão de o comandante saber a linguagem do atleta profissional e, acima de tudo, falar a linguagem do boleiro, do malandro das quatro linhas. Isso se chama treinador, técnico, orientador? Não. É, na verdade, o gestor de pessoas. Fala diferenciada, liderança conquistada sem pressão, impressa nos gestos, nas atitudes e, principalmente, na forma carinhosa como trata os seus jogadores.

Portaluppi foi na contramão de tudo e de todos. Antes, com o jeito falastrão, mas, depois, ponderado, conquistando os gremistas, os amantes do futebol e, principalmente, o Brasil. Agora, quem segura o gaúcho, tchê, passeando nas melhores praias do Brasil com o título estampado no peito, todo marrento: “Ganhei. E você?”


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SOBRE Marcelinho Carioca: Tá lá!

Depois de deixar os gramados, coloquei como meta realizar mais um sonho do meu pai, o senhor Adilson Surcin - que sempre me incentivou aos estudos -, e conquistar mais um título este ano: o diploma de jornalista. Tenho orgulho em ser o primeiro ex-jogador de futebol do país a alcançar esse objetivo. Pai, "TÁ LÁ!" Essa conquista é pra você!