Diário de S. Paulo

13/11/2017 - 17:05

Incansável, Marcos Caruso não pensa em aposentadoria

No ar em série, novela e humorístico da Globo, Marcos Caruso diz: 'Nunca trabalhei em apenas um projeto'

Por: Bárbara Saryne
[email protected]

Foto: Divulgação/Tv Globo

Ele tem dom para ser um rico que perde tudo, um padre mau-caráter e até um aluno sem noção. Tudo ao mesmo tempo. Marcos Caruso tem 65 anos, mas parece estar no auge da juventude, com tanta disposição.

"A minha vida sempre foi assim. Não me lembro de ter feito uma coisa só nunca. Sou muito organizado", afirma o artista, que brilha em "Pega Pega", na faixa das 18h, faz a galera rir no remake da "Escolinha do Professor Raimundo" e é um padre corrupto no seriado de Bruno Mazzeo, "Filhos da Pátria".

Sempre ligado ao humor, o global garante que aproveita as oportunidades que tem para colocar o "dedo nas feridas do público" e aproveita para dar pitacos sobre o futuro de Pedrinho, personagem que escolheu se envolver logo com a mãe de um dos caras que o roubou no início da trama de Claudia Souto.

"Acho que essa história vai terminar bem, porque vai ser pela mãe do Julio (Thiago Martins) que ele conhecerá o ex-funcionário melhor e entenderá que ele o roubou por necessidade, num momento de fraqueza", avalia o ator.

No capítulo de ontem, Pedrinho abriu uma loja de malas para ganhar a vida. Ao falar sobre plano B em um momento de crise, no entanto, Caruso diz que jamais deixaria os palcos. "Jamais deixarei a minha arte. Não pararia nem trabalharia em outra função. Meu amor pelo teatro surgiu quando eu ainda tinha 7 anos e tentava distrair os clientes da minha avó, que era costureira", revela o artista.

Em "Filhos da Pátria", o ator interpreta um personagem totalmente diferente dele, e arranca risos com as artimanhas de um padre sem escrúpulos, que faz valer a expressão "santo do pau oco" ao esconder dinheiro e pedras preciosas nas imagens da igreja.

"A religião servia para maquiar a corrupção, nesse período. É um retrato triste, mas muito bem-humorado do nosso país", garante ele, que dá vida a um sacerdote pela segunda vez na televisão. 

Ao lado de Mateus Solano, Caruso salvou teatro do Rio

Autor da peça clássica "Trair e Coçar é Só Começar", em cartaz há mais de 30 anos, Marcos Caruso afirma que o Brasil está passando por uma crise cultural, que o preocupa. Quando soube que o Teatro do Leblon estava com os dias contados, por exemplo, ele e o ator Mateus Solano ficaram ainda mais assustados e tiveram uma ideia para salvar o espaço cultural do Rio de Janeiro.

"Fiquei 15 dias com a minha peça lá e o Mateus ficou com a dele, a 'Selfie', que eu dirigi há três anos. Os valores foram revertidos para o teatro, porque não podíamos deixar mais um lugar que leva lazer e cultura às pessoas fechar neste momento", conta ele, sem querer confetes.

"Agora, o teatro não está com uma programação intensa, mas está aberto, está indo bem", resume o global, realizado com o atual momento profissional. Atuando ao lado de Elizabeth Savalla, com quem faz par romântico na trama das 18h, o ator revela que, em todos esses anos de carreira, sempre quis trabalhar com a atriz, de 62 anos.

"Eu já ganhei muitos prêmios, a minha profissão já me colocou frente a frente de pessoas com as quais sempre quis trabalhar, mas a Elizabeth era uma que estava na minha lista e faltava conhecer melhor. É uma parceria que quero para o resto da minha vida", diz.


Compartilhe: