Diário de S. Paulo

07/11/2017 - 20:11

Morumbi tem queda no valor dos imóveis

Valor do metro quadrado no Morumbi, Zona Oeste, despencou quase 7% em um ano. Lançamentos também diminuem à medida em que bairro não sai do noticiário policial

Por: Fernando Granato
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Foto: Nelson Coelho/Diario SP

Arrastões no Ladeirão do Morumbi, assaltos a residências no Jardim Guedala com a utilização de fuzis, corpos desovados em ruas desertas.

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Esse bairro da elite paulistana, antes refúgio de famílias abastadas, tem virado um depositário de placas de aluga-se e vende-se à medida que seu histórico de violência avança no noticiário.

Em uma volta pela pequena Rua Leonor Quadros, onde um carro foi incêndio com um corpo dentro, na madrugada do último dia 2 de novembro, o DIÁRIO contabilizou cinco casas a venda em um único quarteirão.

Mesmo cenário pode ser verificado na Rua Ribeiro Lisboa, onde crime parecido havia acontecido um dia antes. Nesse, a ação de motoqueiros, que primeiro disparam contra o porta-malas de um carro e depois ateiam fogo, foi toda gravada por câmeras de segurança de uma casa.

De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), os casos de violência do Morumbi se traduzem em queda expressiva do valor dos imóveis ali localizados.

Para se ter uma ideia, o preço médio do metro quadrado no bairro era de R$ 7,2 mil em 2015 e caiu para R$ 6,7 mil no ano passado.Os números deste ano ainda não estão fechados, mas espera-se redução ainda maior.

"O Morumbi acaba sendo prejudicado duplamente", disse o diretor da Embraesp, Reinaldo Fincatti. "Pela crise econômica, que reduziu o mercado imobiliário como um todo, e pela violência, que impacta diretamente nos preços."

Quem anda pelas ruas do bairro percebe o medo nas atitudes dos moradores. Poucos saem às ruas, frequentadas apenas pelos funcionários que passeiam com cachorros. Um desses residentes, na condição do anonimato, contou que sua casa está para vender há cinco anos, sem que ninguém se interesse. "Enquanto isso, o preço despenca", afirmou.

Outra moradora, que igualmente não quis ter o nome publicado, contou que na sua casa estão proibidas até as lavagens de calçada. "Orientei meus empregados a jamais colocarem a cara para fora porque pode ser a oportunidade de assalto", disse. "Vivemos trancados como criminosos enquanto os verdeiros bandidos estão à solta."

RESPOSTA DA SEGURANÇA

Queda dos índices

A Secretaria de Segurança Pública)disse que os números divulgados mensalmente pela pasta apontam uma queda em todos os índices de crimes contra o patrimônio nos nove primeiros meses do ano. "Os roubos caíram 5%; os roubos de veículos, 16%; os furtos, 15%; e os furtos de veículos, 19%, se compararmos com o mesmo período do ano passado", afirmou.

"Esses resultados só foram possíveis devido às medidas de combate à criminalidade no bairro, principalmente no policiamento preventivo da Polícia Militar e nas operações com base em investigações da Polícia Civil." A SSP disse ainda que mais de 900 criminosos foram presos ou apreendidos nestes nove meses de 2017, na área dos dois distritos policiais, 34º DP (Vila Sônia) e 89º DP (Portal do Morumbi). "Os registros das ocorrências contribuem para o planejamento do policiamento ostensivo, como a distribuição das rondas", explicou. "Além disso, os relatos dos moradores são fundamentais para um policiamento comunitário eficiente, por isso, a PM realiza reuniões para promover ações em conjunto com o Poder Municipal e moradores."

Os jovens preferem morar em apartamento 

Givaldo Lima, vigia

Faço serviço de vigilância no Morumbi desde 1993. Antes era difícil ouvir falar em assalto. Agora é direto. Aqui mesmo nessa rua (Leonor Quadros) já fizeram moradores e até vigilantes reféns. Com isso, muita gente está indo embora, não quer mais ficar por aqui. Nessa rua, especificamente, está acontecendo um fenômeno. Os antigos moradores foram morrendo e seus herdeiros, a nova geração, preferiu colocar a casa à venda e ir morar nos Jardins, em apartamentos. Isso aconteceu em praticamente todas as casas que estão à venda. O bairro envelheceu, e os jovens não querem mais saber daqui. O Morumbi já não é mais aquele sonho de viver em um lugar arborizado e agradável, como era antigamente. 

 

Lançamentos também caem no Morumbi

Na mesma proporção em que caem os preços do metro quadrado no Morumbi, Zona Oeste, diminuem os lançamentos de imóveis novos no bairro.

De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), em 2015 ocorreram 56 lançamentos por ali, com 7,1 mil unidades.Já em 2016, o número caiu para 38 lançamentos, com 5,1 mil unidades.

Embora diferentes, os números do Secovi (Sindicato da Habitação) também mostram redução significativa. De acordo com a entidade, em 2015 foram 25 lançamentos e no ano passado, nenhum.

Em 2017, de janeiro a agosto, segundo o mesmo Secovi, não houve nenhum lançamento de imóveis neste bairro de elite da Zona Oeste.

Estudos do Secovi mostram que o Morumbi, que abrange também os distritos de Vila Sonia e Vila Andrade, já foi o paraíso dos lançamentos de imóveis. Em 2014, por exemplo, foram 507, o que representou naquele ano 1,86% de novos empreendimentos lançados em toda a capital.


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