Diário de S. Paulo

04/10/2017 - 16:10

'Blade Runner 2049' se mostra uma continuação de qualidade

Filme honra o universo criado no passado e abre novos caminhos para o futuro da franquia

Por: Giovanni Oliveira
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Foto: Divulgação

Em 1982, o gênero de ficção científica sofreu uma grande revolução. Pelas mãos do visionário diretor Ridley Scott, que possui em seu currículo clássicos como "Alien - O Oitavo Passageiro" e "Gladiador", a história de um policial caçador de androides ganhou vida e criou tendências que seriam vistas em várias outras produções do gênero, por muitos e muitos anos.

Hoje, quem assiste "Blade Runner - O Caçador de Androides" pode ficar entediado e até mesmo achar a história repetitiva e sem graça, mas em sua época, era tudo novidade; ainda que a produção tenha sido duramente criticada em seu lançamento.

Os elementos técnicos, como a trilha sonora, a fotografia e os efeitos eram inéditos. Dilemas sobre inteligência artificial e a relação entre seres humanos e máquinas, apresentada na trama, ainda se fazem presentes hoje, colocando a obra numa posição de vanguarda. Além disso, Harisson Ford no papel de Rick Deckard marcou uma geração inteira. Agora, ele está de volta na sequência "Blade Runner 2049".

Sob a direção de Denis Villeneuve, um dos diretores mais talentosos da nossa década, e responsável pelos ótimos "Os Suspeitos", de 2013, "Sicario - Terra de Ninguém", de 2015, e o indicado ao Oscar "A Chegada", de 2016, a sequência do clássico futurista tem roteiro assinado por Hampton Fancher e Michael Green, e dá continuidade a trama iniciada lá atrás.

Após 30 anos dos acontecimentos do primeiro filme, o detetive K (Ryan Gosling) descobre durante uma de suas missões um segredo que poderá colocar humanos e replicantes em confronto. Agora, imerso na investigação, ele descobrirá mais coisas do que imagina, sobre si mesmo e sua espécie.

Fiel ao ritmo e a estética apresentada em 1982, "Blade Runner 2049" é um exemplo de boa sequência. Expandindo o universo da franquia, o longa apresenta uma trilha sonora impecável que impacta e emociona na medida certa, um desenvolvimento uniforme, questionamentos filosóficos interessantes (porém mais fracos do que os propostos no primeiro filme), e ainda dispõe de uma ótima performance de Ryan Gosling.

Entretanto, a produção peca por ser muito explicativa, subestimando a inteligência do espectador, e, às vezes, arrastada demais, o que definitivamente vai frustrar aqueles que esperam grandes sequências de ação como o trailer sugere. Ainda assim, o filme se encaixa no estilo de trabalho de Denis, que se dedica mais aos meios do que aos fins, entregando um trabalho ímpar de profundidade e qualidade.

Confira o trailer:

Plano B

O diretor Denis Villeneuve comentou em entrevista ao Metro que, a princípio, o papel de vilão estava cogitado para ser do cantor David Bowie. "Nossa primeira ideia foi David Bowie, que foi influenciado por Blade Runner de várias maneiras. Quando soubemos da triste notícia, procuramos por alguém que fosse parecido", revela. Assim, quem assumiu o personagem foi o também cantor Jared Leto, vocalista da banda de rock Thirty Seconds to Mars, que não fez feio frente às câmeras.


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