Diário de S. Paulo

12/09/2017 - 17:20

Defesa de Nuno pede liberdade

Decisão de juíza que decretou prisão preventiva é contestada por se basear em outra denúncia

A defesa do ex-preparador físico e guru de Ayrton Senna, Nuno Cobra, entrou ontem com habeas corpus para tentar revogar a prisão preventiva, expedida pela Justiça Federal de São Paulo, em sentença no último dia 6. Esse recurso ainda será analisado.

Para o advogado do ex-treinador, Sergei Cobra, "a prisão é maior do que a pena da condenação" e não condiz com o processo por ter sido decretada em relação à uma outra denúncia de abuso sexual. "Não tem o que prevenir", disse.

Nuno Cobra havia sido condenado a prestar serviços à comunidade e a pagar o valor de um salário-mínimo ao mês a alguma entidade social por três anos e nove meses, por ter abusado sexualmente de uma passageira durante um voo, em 2015. Essa sentença substituiu a prisão por não ter sido decorrente de violência ou grave ameaça e pela pena ser inferior a quatro anos.

Na decisão, a juíza Raecler Baldresca, da 3ª Vara Federal Criminal, também decretou a prisão preventiva, acatando a solicitação da Procuradoria, que recebeu a denúncia no dia 5 de que Cobra teria abraçado, apertado as nádegas de uma jornalista e esfregado o órgão sexual nela depois de lhe conceder uma entrevista em agosto deste ano, na frente de outros colegas. A magistrada entendeu que, pelo ato ter acontecido durante o processo, a medida visa evitar que ele "continue delinquir" por representar "um risco à ordem pública".

Segundo o Ministério Público Federal, a denúncia da jornalista foi encaminhada ao MP de São Paulo.

Na interpretação do advogado criminalista e pesquisador da Unesp Theuan Carvalho Gomes, a pena atende aos requisitos legais, mas a prisão preventiva "viola o princípio de presunção de inocência" por se basear num caso em que ainda precisava ser aberto um inquérito e que não é relativo ao processo. "Essa prisão não foi em razão da condenação, mas porque ele teria supostamente se envolvido em um novo crime igual ao que ele estava sendo acusado."

O advogado também pontua que essa prisão, que é preventiva e só ocorre por questões relacionadas ao processo, estaria sendo utilizada como uma condenação. "Leva em consideração que, de fato, essa segunda conduta foi criminosa antes mesmo dele ter sido condenado por ela."


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