Diário de S. Paulo

06/09/2017 - 17:32

Após 3 anos de atraso, governo inaugura estações

Sessenta mil serão beneficiados nos quase três quilômetros abertos da Linha 5-Lilás

Por: Alex Pinheiro
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Foto: /Nelson Coelho/Diario SP

Depois de três anos de atraso, o governo do estado inaugurou, nesta quarta-feira (6), três estações da Linha 5-Lilás do Metrô. Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin já estão em funcionamento em um trecho de 2,8 quilômetros na região Sul da capital. Por enquanto, a operação será assistida, o que na prática significa que nos próximos dois meses o horário será reduzido, das 10h às 15h, de segunda-feira a sábado (inclusive nos feriados), com entrada gratuita nas três paradas.

Segundo a companhia, mais de 60 mil pessoas serão beneficiadas por dia com a nova operação. "Antes eu tinha que ir de carro até o Largo 13 (em Santo Amaro), ficava presa no trânsito. Agora posso vir andando de casa até o Metrô. É muito mais fácil", disse Ana Claudia Graf, de 38 anos, moradora da Chácara Santo Antônio, referindo-se à distância da nova estação Brooklin até sua casa.

Durante a operação inaugural, o percurso foi feito, em média, com oito minutos de duração entre as três estações. As portas das plataforma, as mesmas que existem nas estações da Linha 4-Amarela, ainda não foram instaladas, o que deve ocorrer em outubro , no Brooklin, e no ano que vem nas outras duas paradas.

Também foi possível observar pequenas obras nas partes internas e externas das paradas e tapumes para isolar funcionários que trabalhavam para fazer ajustes finais. Sobre esses atrasos, Alckmin disse que vai penalizar as terceirizadas.

Nas áreas das bilheterias e catracas, saltou aos olhos dos usuários a grande quantidade de escadas rolantes - apenas no Brooklin há 24 -, além de acessibilidade em diversos pontos das entradas (rampas e elevadores). As cúpulas de vidro facilitam a entrada de luz.

As obras da Linha 5 tiveram início há quase 20 anos, em 1998, no governo Mário Covas (PSDB). As primeiras estações inauguradas ocorreram em 2002, no entanto, a operação comercial de forma plena só teve início em 2008. A linha foi orçada inicialmente em R$ 7 bilhões, mas este valor já está em cerca de R$ 10 bilhões.

"Investimento público e privado gera emprego e somente nas obras da CPTM, EMTU e Metrô geramos 13 mil postos de trabalho", disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Governo promete entregar estações em 120 dias

Alckmin afirmou que até o fim do ano vai inaugurar novas estações na capital. "A meta é entregar até dezembro mais seis estações da Linha 5-Lilás", disse. Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin, além da parada de Campo Belo, que ficará para 2018, integram a "linha da saúde", já que passa por unidades hospitalares.

Alckmin afirmou ainda que, neste ano, a Estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, também ficará pronta. Até março de 2018, há a promessa de entrega da Oscar Freire (Linha-4), e a nova Linha 13 da CPTM, que vai ligar o Aeroporto de Cumbica ao sistema metroferroviário.

Estação Adolfo Pinheiro entra na mira de tribunal

O TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) publicou no "Diário Oficial" de ontem um despacho que aponta irregularidades na Estação Adolfo Pinheiro do Metrô. Segundo o TCE, a parada, que integra a Linha 5-Lilás, foi entregue de forma precária em 2014.

Um dos principais questionamentos é em relação à reconstrução de uma galeria comercial, vizinha à estação. Durante as obras, o Metrô removeu 24 comerciantes do local e prometeu que após o término dos trabalhos, a galeria seria reconstruída. No entanto, a conclusão dela, cujo prazo era para julho de 2017, ainda não foi cumprida.

O TCE questiona, por meio do conselheiro Antonio Roque Citadini, quem é o responsável pela obra da galeria e se o Metrô contratou duas empresas para executar o mesmo serviço. O valor inicial, previsto no contrato do consórcio Construcap-Constran era de R$ 465 mil. Mas nos papéis constava um aditivo num valor maior, num total de R$ 730 mil, com nome de outra empresa, a Contracta.

Enquanto isso, o Metrô continua pagando pelo prédio que alugou para os 24 comerciantes desalojados, no valor de R$ 37 mil mensais. Mas apenas sete deles seguem ali. Até agora, já foram gastos R$ 3 milhões.

Em nota, o Metrô disse que irá prestar todos os esclarecimentos ao TCE. Também afirmou que a estação Adolfo Pinheiro beneficia mais de 8,6 milhões de usuários. O investimento total para todo o projeto da Linha-5 é de R$ 9,97 bilhões.


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