Diário de S. Paulo

12/09/2017 - 21:11

Luz vermelha no Timão

Por: Marcelinho Carioca
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Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

O Corinthians tem pela frente seu pior adversário: ele próprio. E lutar contra si, apesar dos sete pontos de vantagem, não será tarefa nada fácil. O excesso de confiança, desleixo, preguiça e descaso de parte do elenco pode ser a bomba que destruirá um projeto que revolucionou o primeiro turno do Brasileirão, já que, neste segundo turno, o time enfrenta altos e baixos e não consegue impor o mesmo futebol e invencibilidade do turno anterior. De quem é a culpa? Quem vai apagar essa luz vermelha?

Na Chapa

O Corinthians vive dois extremos: se ganha quarta-feira, na quinta está no céu; se perde domingo, na segunda está no inferno. O que dizer de um time que começa a falhar exatamente no segundo turno? Terá o Corinthians a melhor defesa do campeonato? Terá o Corinthians o melhor esquema tático? Como explicar a reação adversária? Terão Fábio Carille e a comissão técnica condições de reverter o emocional? Os próximos jogos vão falar por si só. Teremos uma torcida na boca do vestiário e um elenco impaciente nos primeiros 15 minutos, que, se porventura, não ganhar o próximo jogo na Arena Corinthians, pode, sim, ver o sonho de ser campeão virar um pesadelo. Vale salientar que o Grêmio está ajudando muito. Já o Santos, colocou fogo no Brasileirão. Agora, os jogadores no vestiário, na concentração e nos treinos terão de aparar as arestas e mostrar se realmente têm garrafa vazia pra vender. É hora de demonstrar personalidade, chamar a responsabilidade para si e tratar a bola de “meu bem”. Será que a redondinha vai obedecer? Será que os atletas já estão tremendo ou será que o caldeirão de Itaquera vai ferver?

Na Gaveta

Levir Culpi demonstra, a cada jogo no comando do Santos, a forma como se deve tratar um grupo de jogadores. Levantando a autoestima do time e, acima de tudo, preparando-o contra o principal adversário. Dilema no caldeirão e corredores da Vila: podemos perder pra todo mundo, menos pra eles. O jogo contra o Timão é como se fosse final de Copa do Mundo. A corrida é diferente, o treinamento da semana é diferenciado e a bola dividida, seja no alto ou no chão, será sempre nossa. Falo isso porque joguei lá, escutei e vi isso no semblante de cada jogador, diretor e torcida. Sabendo do jogo decisivo na quarta-feira, pela Libertadores, não poupou os principais jogadores e deu alegria para cada um e motivação para o jogo da do torneio continental. A alegria e a vitória superam qualquer cansaço, ainda mais quando se tem jogadores jovens. O velho ditado prevalece: vai, que, pela idade, sai na urina. Está aí o dedo do treinador, que, com atitudes e pequenos gestos, ganha a confiança e o respeito do grupo Santista. Essa ousadia em colocar força máxima no clássico contra o Timão colocou fogo no Brasileirão e deu vida aos principais concorrentes, como o Grêmio, apesar de o time gaúcho não ter feito a parte dele, perdendo para o Vasco, em São Januário. Seus 50 anos de bola, sua simplicidade e seu papo de boleiro levarão o time da Vila Mais Famosa do Mundo ao topo e, quem sabe, a uma conquista tão esperada. O futebol, hoje, que está tão burocrático, precisa dessa magia, desse encanto, desse tato com os atletas. E, acima de tudo, de conhecimento dentro e fora das quatro linhas.

Mais MARCELINHO CARIOCA: TÁ LÁ!


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SOBRE Marcelinho Carioca: Tá lá!

Depois de deixar os gramados, coloquei como meta realizar mais um sonho do meu pai, o senhor Adilson Surcin - que sempre me incentivou aos estudos -, e conquistar mais um título este ano: o diploma de jornalista. Tenho orgulho em ser o primeiro ex-jogador de futebol do país a alcançar esse objetivo. Pai, "TÁ LÁ!" Essa conquista é pra você!