Diário de S. Paulo

07/09/2017 - 16:54

Poder de inquérito

Por: Esplanada

O constrangimento ao qual Rodrigo Janot se submeteu diante dos áudios escondidos de Joesley Batista reacendeu a disputa entre delegados de Polícia Federal e procuradores do MPF (Ministério Público Federal) sobre o poder de inquérito. Delegados federais criticaram muito o açodamento de Janot em dar como encerrado o caso Joesley antes dessas novas revelações. Ainda entre gabinetes, delegados apontam um equívoco em reprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37 no Congresso Nacional, que tirava poderes de inquérito do MP, e também apontam equívoco do STF (Supremo Tribunal Federal) mantendo esses poderes aos procuradores.

Lobby declarado

Quando assumiu o comando da PGR, Janot chegou a fazer périplo por gabinetes do Congresso num lobby aberto contra a PEC 37 que tirava poderes de polícia do Ministério Público.

Interface

A PGR pediu esclarecimentos à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio sobre as atividades do ex-procurador Marcelo Miller com a banca Trench, Rossi e Watanabe, que defende a JBS.

Delação sob risco

Em meio à reviravolta que colocou em xeque o acordo entre o Ministério Público Federal e os chefões do grupo JBS, deputados - governistas e da oposição - se articulam nos bastidores para dar celeridade à aprovação de projetos que mudam as atuais regras da delação premiada. Uma das propostas, de autoria do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), proíbe o delator de alterar ou acrescentar informações após o primeiro depoimento - sob risco de perder os benefícios da colaboração. Permanece, por enquanto, parada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. O outro projeto, de autoria do deputado Wadih Damous (PT-RJ), impede investigados que estiverem presos de celebrar acordos de delação premiada. O texto também estabelece que nenhuma denúncia poderá ser baseada apenas em delação, e os nomes dos citados devem seguir em sigilo.

Musa do crime

Uma agente da PF, chamada a musa da corporação em Brasília, foi presa em Águas Claras por associação com o tráfico, na operação internacional da última segunda-feira.

Povo esperto

No Desfile Cívico ontem na Esplanada, a PF foi ovacionada por 15 minutos. Populares apontaram os dedos para o presidente Temer no palanque quando a patrulha passou.

Surpresa!

Estupefato com as revelações do novo áudio acidental entregue por Joesley Batista, o relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, vai endossar posição do PGR Rodrigo Janot para que os benefícios ao empresário e a Ricardo Saud sejam revistos.

Arenas do povão

A Aglo (Autoridade de Governança do Legado Olímpico) vai abrir as portas das arenas 1 e 2, entre os dias 2 e 5 de novembro, para receber os Jogos Universitários. Em parceria com a Agência JC2 Esportes, a expectativa é reunir dois mil em oito modalidades. A expectativa de público é de aproximadamente quatro mil pessoas/dia. É a primeira vez no mundo que um legado olímpico recebe Jogos Universitários.

Cegueira redobrada

Dois dias depois de a Coluna citar a "cegueira" do Senado sobre a proposta de redução da maioridade para 15 anos, pronta para votação, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) a colocou em pauta. E a retirou.


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SOBRE Leandro Mazzini

Começou no jornalismo em 1996. Passou por Jornal do Brasil, Correio do Brasil, Gazeta Mercantil, Agência Rio de Notícias entre outros. Assinou o Informe JB de 2007 a 2011. Foi colunista do JB e da Gazeta.