Diário de S. Paulo

31/08/2017 - 19:19

Ciclista é atropelado, arrastado por 5 km e morto

Morador de Osasco, pintor usava a bicicleta pela primeira vez para trabalhar. Atropelador fugiu sem prestar socorro à vítima, que morreu no local

Por: Ana Paula Bimbati
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Foto: /Reprodução/Globo

Um ciclista morreu após ser atropelado e arrastado por cinco quilômetros (segundo o BO) na noite de quarta-feira (30). Pintor em uma rede de hotéis, Gilmar Barbosa da Mata, de 45 anos, costumava ir de carro para o emprego, mas decidiu acompanhar um amigo de trabalho usando sua bicicleta.

Segundo o boletim de ocorrência, Gilmar estava na Avenida Nações Unidas, em Osasco, Grande São Paulo, quando foi atingido por um Renault Clio. A vítima, de acordo com testemunhas, tentava atravessar a via no momento da colisão.

Gilmar saiu de Osasco com destino ao bairro Real Parque, na Zona Sul da capital. Foi na volta para casa que o acidente aconteceu. O motorista não parou o veículo e o corpo do pintor ficou sobre o capô do carro, sendo arrastado por cinco quilômetros. No Viaduto do Cebolão, que dá acesso à Marginal Tietê, ele caiu do automóvel.

Ao portal G1, Lusimar Rodrigues Barbosa Júnior, de 23 anos, disse acreditar que o amigo poderia ter sobrevivido caso o motorista tivesse prestado socorro. Ele estava com Gilmar no momento do atropelamento.

O pintor completaria 46 anos hoje. Segundo Dioná da Mata, cunhada do ciclista, a família quer punição ao atropelador. "A gente quer justiça", disse ao portal.

O caso foi registrado no 91º DP (Ceagesp) como homicídio doloso (quando há intenção de matar) e será investigado pelo 9º DP de Osasco, área responsável pelos fatos.

FILHA DENUNCIA/ A polícia ainda não encontrou o motorista. Horas após o acidente, a própria filha do suspeito desconfiou do envolvimento do pai no caso e o denunciou.

Mário Prestes Netos, de 61 anos, segue foragido. O carro foi encontrado em Itapevi, cidade vizinha de Osasco, por policiais e apreendido.

Gilmar foi fotografado pelo amigo Lusimar na ida para o trabalho. O enterro aconteceu nesta quinta-feira em Osasco.

Nosso sistema de trânsito está todo errado

OPINIÃO_ Renata Falzoni, cicloativista

A forma como o nosso trânsito é administrado está totalmente errada. Temos três grandes problemas. O primeiro é o desenho das ruas, porque não foi feito para se compartilhar. O segundo é que o jurídico não pune quem comete crime no trânsito. O acusado sabe que sairá ileso, porque a impunidade é comum. O outro problema é o aumento de velocidade. Todos esses pontos colaboram para o aumento de atropelamentos. Não dá para falar que são acidentes, mas, sim, incidentes. É preciso questionar as autoridades responsáveis sobre isso.

 


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