Diário de S. Paulo

28/08/2017 - 17:10

Jovem leva tiro e morre em pancadão na Brasilândia

Testemunhas denunciam que policiais agrediram e atiraram para dispersar multidão em baile funk de rua em comunidade na Brasilândia, Zona Norte

Por: Jeniffer Mendonça
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Foto: /

Um rapaz de 22 anos morreu após ter sido baleado na noite de domingo (27) durante um baile funk na Comunidade do Iraque, região da Brasilândia, Zona Norte da cidade.

Segundo testemunhas que preferiram não se identificar, policiais militares invadiram duas vezes a comunidade onde a festa acontecia na rua, no Jardim Carumbé, para dispersar as pessoas. Na primeira, elas correram, mas voltaram em seguida. Na segunda, os agentes "saíram jogando bomba de gás e atirando", contam. Relatos também denunciam agressões por parte dos PMs contra as pessoas no local.

Lucas Miranda da Silva, 21, ao tentar correr dos disparos, teria sido alvejado. Uma testemunha aponta que o jovem teria sido agredido antes de ser baleado.

Informações do boletim de ocorrência indicam que os policiais, em duas viaturas e em uma base móvel, foram acionados pelo Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) para realizarem a operação "Tranquilidade Pública" no local. Eles teriam utilizado "sinais sonoros" e "luminosos" para dispersar a multidão. E alegam que 15 minutos depois um amigo da vítima foi até a equipe solicitando socorro, porque Lucas foi alvejado por arma de fogo.

Ainda no BO, o amigo de Lucas, que não estava com ele no momento dos disparos, disse que a vítima e outros colegas decidiram ir ao baile por volta das 23h após participarem de uma festa infantil na casa de um conhecido. Ele ficou na residência, já Lucas e os outros jovens foram à festa.

Depois, foi informado que Lucas tinha sido ferido. O amigo solicitou auxílio aos policiais, mas segundo ele, a vítima já tinha sido socorrida por pessoas locais e encaminhada ao Hospital de Pirituba, mas não resistiu aos ferimentos.

Familiares de Lucas foram chamados e na delegacia disseram que o filho sempre trabalhou como repositor em farmácias, não tinha antecedentes nem inimigos na Comunidade do Moinho, onde mora.

"Eu tô procurando justiça, não é possível que a Polícia chegue atirando e tire a vida de um trabalhador que deixou um filho de dez meses e uma esposa chorando", disse o pai da vítima. A família está entrando em contato com a Corregedoria para apurar o caso.

A SSP informou que a Polícia Civil abriu inquérito no para apurar a autoria do crime e que "foram solicitados exames periciais e a autoridade aguarda os laudos".


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