Diário de S. Paulo

21/08/2017 - 18:12

Osasco gasta R$ 100 mil por dia para transferir lixo

Cinco dias após DIÁRIO divulgar que existem dois aterros sanitários irregulares na Grande São Paulo, Justiça determina interdição na cidade vizinha. Prefeitura afirma que laudos garantem a segurança

Por: Fernando Granato
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Foto: Nelson Coelho/Diário SP

Cinco dias depois de o DIÁRIO ter revelado que existem dois aterros sanitários irregulares na Grande São Paulo, de acordo com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), um deles, o de Osasco, foi interditado pela Justiça.

Com a interdição, o município está desde sábado depositando o lixo da cidade na vizinha Caieiras, a um custo diário de R$ 100 mil.

De acordo com o despacho do juiz Roberto Maia, havia "riscos de escorregamento do material depositado, com possibilidade de soterramento da população lindeira ao aterro sanitário".

A decisão judicial que determinou a interdição suspende uma liminar que mantinha o aterro aberto e deverá ser julgada agora pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Com ela, abre-se mais um capítulo no embate entre a Cetesb e a Prefeitura de Osasco.

Em abril, a companhia ambiental solicitou a interdição do aterro, por ele estar operando de maneira irregular. Mas logo em seguida a gestão local conseguiu, por força de medida liminar judicial, voltar a operá-lo normalmente.

"A Cetesb entrou com recurso e obteve a suspensão da liminar tendo o juiz concedido prazo de 30 dias para os responsáveis se adequarem", disse a companhia. "Como não cumpriram a exigência, o aterro voltou a ficar automaticamente interditado a partir do dia 19, sábado passado."

O município questiona a decisão e afirma que vai recorrer. "Existem dois laudos da prefeitura atestando a segurança do aterro e um da Cetesb que contesta", disse. "A Justiça encomendou um quarto, no qual o perito garante a segurança na funcionalidade."

Moradores vizinhos relatam problemas com os gases

Com os olhos congestionados, a dona de casa Maria Silva, de 65 anos, sonha com o fechamento definitivo do Aterro Sanitário de Osasco, na Grande São Paulo. "Os gases vão acabando com a vista da gente e estou vendo o dia em que vou ficar cega por conta desse lixão", diz ela.

Maria mora há 11 anos na comunidade Portal 2, que fica vizinha ao aterro, e conta que são comuns por ali os problemas de saúde decorrentes dos gases que emanam do depósito de lixo.

"As crianças sofrem com problemas respiratórios e passam os dias com falta de ar", disse a moradora. "Isso sem falar nas doenças trazidas pelos ratos que são atraídos pelo cheiro."

Quem também reclama do odor é a auxiliar administrativa Flávia Conceição, 23 anos, outra vizinha do aterro. "Moro aqui há dois anos e ainda não me acostumei", afirmou. "É uma coisa que tranca nossa respiração."

Na tarde de ontem, outra moradora, Aurélia Costa Silva, 50 anos, comemorava a medida judicial que determinou  o fechamento do aterro.

"O morador daqui quer que ele fique fechado para sempre", disse ela ao SPTV da Rede Globo. "Porque se abrir, é transtorno e a gente não aguenta mais sofrer com esse lixo. São 40 anos que a gente sofre e pede para fechar. Eles fecham e depois reabre. Agora esperamos que seja definitivo."


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