Diário de S. Paulo

18/08/2017 - 18:13

Moradores fazem abaixo-assinados contra aumento de roubo de veículos na Zona Norte

Por: Ana Paula Bimbati
[email protected]

Foto: Nelson Coelho

Desde o começo do ano, o comerciante Francisco Borges, de 48 anos, tem cuidado redobrado com seu carro. Em alguns dias da semana ele até prefere deixá-lo em casa. O motivo? Ele teve seu automóvel furtado, quase na frente de seu estabelecimento, em dezembro.

Histórias como a de Borges são ouvidas sempre pelos moradores das ruas Jacaré Copaíba e Padre Feliciano Domingues, na Freguesia do Ó, Zona Norte. Os crimes de furto e roubo de veículos nestes locais se tornaram "tão comuns" que a população se uniu e fez um abaixo-assinado com o pedido de mais segurança, além de uma base comunitária da Polícia Militar.

As ruas abrigam três equipamentos públicos, a UBS Cruz das Almas, o CEI (Centro Educacional Infantil) Vereador João Toniolo e a Escola Estadual Almirante Marquês de Tamandaré. As unidades também fizeram um abaixo-assinado.

"Uma de nossas professoras teve o carro roubado. Os funcionários reclamam da falta de segurança aqui", disse o diretor do CEI, Jobe Menezes, que entregou o documento à Secretaria Municipal de Educação com mais de 400 assinaturas.

Na UBS, uma médica, que trabalhava há apenas dois dias no local, também teve seu veículo furtado. Funcionários do posto contaram ao DIÁRIO que ela teria pedido demissão logo em seguida, e um dos motivos teria sido a insegurança na rua.

A reclamação é também sobre a "inexistência" de patrulhamento. "Tem dia que você não vê nenhuma polícia e o roubo não tem hora para acontecer", disse a autônoma Alexandra Augusto, 42. Seu pai teve o carro furtado por volta das 9h, em frente à sua casa há 20 dias.

NÃO É BEM ASSIM/ Apesar das inúmeras reclamações, o delegado titular do 28º DP (Freguesia do Ó), Nicola Romanini, negou um aumento do crime nas vias. "Não é uma sangria desatada no bairro. É relativo", amenizou. "O que não dá é para deixar carro na rua sem alarme e seguro."

Casos de furto diminuíram no bairro, mas roubos aumentaram

Apesar de o delegado do 28º DP (Freguesia do Ó) dizer que os casos de furto e roubo de veículo no bairro não são uma "sangria desatada", as estatísticas da SSP (Secretaria de Segurança Pública) mostram o contrário.

Comparando os meses de janeiro a julho deste ano com o mesmo período de 2016, as ocorrências registradas na delegacia do bairro sobre roubos de veículos aumentaram. Nos sete primeiros meses deste ano, foram 304 roubos de automóveis pelas ruas da Freguesia do Ó. Esse número, no mesmo recorte de 2016, era de 267: crescimento de quase 14%.

Já nos casos de furto de carros houve, sim, uma diminuição, mas o número ainda é alto. No primeiro semestre do ano passado foram registradas 294 ocorrências do crime contra 233 deste ano.

Em toda a capital, segundo dados divulgados ontem pela SSP, houve redução nos dois indicadores comparando os sete primeiros meses . Os casos de roubo caíram de 21.516 para 19.126. Já os de furto foram de 26.662 para 24.885.

RESPOSTA DAS AUTORIDADES

Dois casos são investigados

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que a Polícia Civil investiga dois casos de furtos de veículos na Rua Padre Feliciano Domingues, mas informou não ter identificado ainda os suspeitos. Segundo a pasta, no primeiro semestre deste ano, 130 pessoas foram presas em flagrantes na região e houve redução destes crimes no bairro. Sobre a falta de patrulhamento, a pasta disse que a PM irá analisar as informações oferecidas pelos moradores. Já a Prefeitura informou apenas que encaminhou o abaixo-assinado à SSP e não comentou sobre o caso da médica, vítima de um furto. A pasta da Educação estadual informou manter "parceria com a Ronda Escolar para monitoramento do entorno da escola".


Compartilhe: