Diário de S. Paulo

11/08/2017 - 21:50

Estudantes deixam o prédio da Câmara

Manifestantes ocuparam o plenário na quarta-feira em protesto contra o plano de privatizações e concessões da Prefeitura e as restrições ao passe livre

Foto: Reprodução

Estudantes secundaristas, universitários e membros de movimentos estudantis deixaram no início da tarde desta sexta-feira (11) o prédio da Câmara Municipal, que estava ocupado por eles desde quarta-feira. De acordo com os manifestantes, a decisão de sair foi tomada porque parte da pauta de reivindicações do movimento foi alcançada.

"Conquistamos uma audiência pública, o compromisso de passar o PDL (Projeto de Decreto Legislativo) do Plebiscito pelo Colégio de Líderes desta Casa, com fala do movimento social e o compromisso de não criminalizar a ocupação. Saímos hoje, no Dia do Estudante, quando lembramos a vida e a luta de Edson Luiz (estudante secundarista assassinado pela polícia na ditadura militar)", disseram os estudantes ao sair, em forma de jogral.

Os manifestantes ocuparam o plenário da Câmara, entre outras razões, para protestar contra o projeto de lei que faz parte do PMD (Plano Municipal de Desestatização) e prevê a concessão de equipamentos e serviços municipais à iniciativa privada. Eles pediam a aprovação de um PDL para a realização de um plebiscito sobre o plano de privatizações.

Além do plebiscito, os manifestantes pediam que fossem realizadas audiências públicas nas 32 prefeituras regionais para discutir o PMD. Eles reivindicavam ainda a revogação do decreto que reduziu as horas de gratuidade para os estudantes que utilizam o passe livre estudantil nos ônibus da cidade.

"Temos a certeza de que aqui não temos espaço para avançarmos em nenhuma negociação e de que a nossa luta continua nas ruas e no diálogo com toda sociedade paulistana, já que este governo não o faz", disseram os estudantes.

Na quinta-feira, a Justiça deu prazo de cinco dias para que os manifestantes deixassem o prédio da Câmara. Após esse período, a Polícia Militar estaria autorizada a fazer a reintegração de posse.

Cerca de 70 manifestantes fizeram parte da ocupação do Plenário da Câmara.

Segundo o presidente da Casa, Milton Leite (DEM), Alguns danos ocorreram durante a ocupação e o laudo técnico foi elaborado pela Polícia Civil. Ele sustenta que extintores, mesas e cadeiras foram depredados.

"O inquérito policial permanente já está instaurado na delegacia de polícia e as providências serão tomadas (...). A identificação deles cabe à Polícia Civil", disse Leite.

O advogado dos estudantes nega as acusações de dano ao patrimônio público.


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