Diário de S. Paulo

11/08/2017 - 17:13

Maia diz que Brasil pode passar por crises como a do Rio e de Portugal

Em evento no seu estado natal, presidente da Câmara reforçou a importância das mudanças na aposentadoria em meio à crise com a base

Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Em meio a uma possível rebelião da base aliada, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) subiu o tom nesta sexta-feira (11) ao falar sobre a necessidade da reforma da Previdência. Sem ela, segundo o parlamentar "vai acontecer na União o que aconteceu no Rio e o que aconteceu em Portugal".

No Rio de Janeiro, estado de origem do deputado, a crise financeira fez o poder público parar de pagar salários de servidores públicos e pensionistas. A situação caótica das contas do estado se arrasta assim desde o ano passado.

Já em Portugal, o governo local cortou o valor de aposentadoria de servidores e aumentou impostos em 2010. Além disso, em 2013, elevou a idade para a concessão da aposentadoria de 65 para 66 anos.

O governo trata como fundamental a aprovação nas mudanças previdenciárias no Brasil para que se cumpra o teto da meta fiscal. Há também a alegação de que, sem a reforma, a Previdência não é sustentável. Para Maia, caso a reforma não passe, será preciso aumentar impostos, por isso, a situação é "desconfortável".

"Por um lado, não se quer aumentar imposto. Por outro, há uma dificuldade na aprovação da reforma da Previdência. Em algum momento, o Congresso vai ter que tomar a decisão. Por um caminho ou por outro. É o que eu digo: aumentar a meta com aprovação da reforma da Previdência é irrelevante a meta. Aprovar a meta sem a reforma da Previdência é uma sinalização péssima para os investidores no Brasil."

O deputado federal destacou ainda que, sem a reforma, o país pode viver crise semelhante à do Rio no que diz respeito à dívida com servidores e aposentados.

"Tributar a sociedade não é um caminho. Nós temos despesas obrigatórias que crescem todos os anos. A reforma da Previdência vai nessa linha: nos garantir o equilíbrio fiscal brasileiro, da queda da inflação e da queda dos juros".

CRISE / Para aprovar o texto, que fixa a idade mínima em 62 anos para mulheres e 65 para homens (leia mais ao lado), será necessário 308 votos na Câmara. A missão que já não parecia fácil ficou pior nos últimos dias, já que os deputados do centrão - bloco formado por 14 siglas - ameaçam não votar com o governo.

O grupo reivindica a redistribuição de cargos federais que estão nas mãos dos chamados "infiéis" - que votaram a favor da admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer. O governo conseguiu barrar a denúncia com 263 votos, 45 a menos do que o necessário para aprovar a reforma.

Lideranças do PP e do PSD, os maiores partidos do Centrão, ameaçaram até não barrar uma eventual segunda denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o peemedebista.


Compartilhe: