Diário de S. Paulo

23/08/2017 - 17:19

Inspirado no 1º Bozo, 'Bingo' mostra bastidores do programa

Show se tornou um fenômeno da TV brasileira e da cultura pop na década de 1980. Confira o trailer

Por: Giovanni Oliveira
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Foto: Divulgação

Os anos 1980 podem ser resumidos em uma palavra: exagero. Uma rápida busca na internet e está tudo lá: as roupas coloridas, os penteados extravagantes, a maquiagem destacada... Era tudo demais! E que figura melhor representa este exagero senão um palhaço? Seu sorriso invade as bochechas, o cabelo é enorme, os sapatos são gigantes e o nariz sobressai ao rosto. A história de Arlindo Barreto, homem que deu vida ao primeiro palhaço Bozo e inspirou "Bingo - O Rei das Manhãs", também pode ser resumida nessa palavra.

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O filme é um espetáculo. Uma ópera dramática que narra a ascensão e queda de um homem que queria apenas ser reconhecido por seu trabalho. Filho de uma grande atriz, Augusto Mendes (Vladimir Brichta) ganha a vida atuando em filmes de pornochanchada. Divorciado, ele mantém um bom relacionamento com seu filho Gabriel (Cauã Martins).

Porém, decidido a dar um novo rumo a sua carreira, ele faz uma ponta em uma novela da Mundial, a maior emissora de TV da época. Infelizmente, o trabalho não dá muito certo, e é então que ele encontra a oportunidade de sua vida na TVP (emissora concorrente): estrelar a versão brasileira de um programa de sucesso dos Estados Unidos: o show do palhaço Bingo! Mas há uma condição: ninguém pode saber quem é o homem por trás do nariz vermelho.

É aí que Augusto vive seu maior dilema. Ao assumir a máscara de Bingo, ele alcança o estrelato e o anonimato ao mesmo tempo. Seu jeito irreverente e politicamente incorreto conquista as crianças e alavanca a audiência da emissora. Mas com a fama, vêm os excessos. Augusto mergulha no mundo das drogas e apresenta ao espectador uma contradição: o homem que de dia alegra as crianças, à noite se mostra um péssimo exemplo para elas. No entanto, seu filho é quem mais sofre com o novo trabalho. De protagonista, passa a ser coadjuvante da própria relação entre pai e filho.

Com uma excelente orientação de Daniel Rezende, que faz sua estreia como diretor, passeamos entre os altos e baixos da vida de Augusto e todos aqueles que o cercam. O roteiro e o texto de "Bingo" são excepcionais, e conseguem gerar esperança, medo, tensão e alegria em vários momentos. A maior parte deste acerto se deve a Vladimir Brichta, que apresenta definitivamente seu melhor papel. Recém saído da novela "Rock Story", da Rede Globo, Augusto (e Bingo) nada lembram seu último personagem.

Com uma excelente montagem, fotografia, ambientação, trilha-sonora e estética que nos fazem acreditar que o filme foi realmente gravado em 1980 e mantido numa cápsula do tempo até hoje, "Bingo - O Rei das Manhãs" não é um filme sobre um palhaço ou um programa de televisão. É sobre as piadas sem graça que tornam a vida de um homem um drama.

Confira o trailer:

Bastidores

Segundo o diretor Daniel Rezende, o papel de Bingo foi inicialmente pensado para o ator Wagner Moura. Porém, devido aos conflitos de agenda, já que o ator estava envolvido com outros projetos, Vladimir Brichta foi indicado pelo próprio Wagner para viver o palhaço Bingo. "Eu fui tomar um café da manhã com o Vladimir para conhecê-lo e, no 'bom dia', eu falei: 'cara, é ele'", revela o diretor. Durante a preparação para o personagem, Brichta teve aulas com o ator Domingos Montagner e se apresentou num circo de verdade sem que o público soubesse de sua presença.


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