Diário de S. Paulo

30/06/2017 - 14:48

Diego Alves: 'Não dá para ficar esperando a Copa. Tem de se preparar'

Nome frequente nas listas de Tite, goleiro já pensa no Mundial da Rússia. Antes da Copa, ele falou ao DIÁRIO

Por: Plínio Rocha
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Foto: REUTERS

Na Europa, Diego Alves tem moral de sobra. É temido pelos adversários por ostentar um recorde muito desconfortável para eles: de 51 pênaltis batidos contra sua meta, ele impediu que 25 fossem para o fundo da rede. É praticamente uma máquina de pegar pênaltis. Três desses, aliás, saíram dos pés de ninguém menos do que Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo.

O desempenho com a camisa 1 do Valência, do qual pode estar de saída, o levou à seleção brasileira. E, faltando um ano para a Copa do Mundo da Rússia, claro, ele não quer deixar a chance passar. A seguir, uma entrevista com o goleiro. 

DIÁRIO_ Dá para dizer que foi uma temporada muito boa individualmente, mas não tão boa assim coletivamente?

DIEGO ALVES_ Olha, a temporada não foi o que imaginávamos. O Valência teve problemas na parte externa, na parte administrativa, e sentimos e não fizemos uma boa temporada. Sabemos que o goleiro tem uma vida diferente da dos jogadores. Quando vêm muitas bolas, você acaba fazendo muitas defesas. Mas eu considero uma temporada, analisando friamente, boa. Claro que teve erros e acertos, mas considero que, em um dos momentos mais difíceis do clube, eu consegui me sobressair de uma maneira positiva.

Terminou o ano satisfeito?

Bom, satisfeitos nunca ficamos depois de uma temporada dessas. Eu ficaria satisfeito se tivesse conseguido o objetivo principal do clube. Mas, analisando como eu analiso, acho que tive uma regularidade importante na temporada, e essa regularidade, sim, me deixa satisfeito. Mas, no conjunto, não, porque não foi alcançado o objetivo. Mas não é fácil, porque o Valência não consegue bater de frente com os gigantes. Existe uma limitação coletiva que te obriga a traçar objetivos diferentes. O Valência tinha um time incrível, no papel, este ano. Foi uma pena que não conseguimos transferir essa condição para dentro de campo. Por vários fatores. Tivemos três treinadores na temporada, terminamos a temporada com um técnico que, na verdade, era o nosso delegado. Foram geradas situações que não refletiram para o bom rendimento do time dentro de campo.

Como é ser aclamado pelos feitos pessoais, mas faltar ganhar um título e ter a consagração?

É muito difícil, na Liga Espanhola, você vencer e até disputar, a não ser que seja um Real Madrid ou Barcelona. São duas potências e é bem complicado jogar de igual para igual com eles pelo título. Então, a coisa fica um pouco separada. O que acontece? Antes de começar a temporada, está praticamente dividido. Tais times brigam pela Liga dos Campeões, tais times brigam pela Liga Europa e tais times vão brigar para não ser rebaixados. Todo mundo sabe que o Barcelona e o Real Madrid são os times que vão chegar brigando até o fim pela competição, e o Valência, com todo o respeito, é um time que não está preparado para competir contra eles. Não desmerecendo o Valência, mas todo mundo sabe que é uma situação em que, hoje, bater com esses dois é muito difícil.

Mas como é essa realidade individual x coletivo? A ponta final, o título, faz falta, não?

Claro que faz. Mas o que eu quero dizer é que é muito difícil você conseguir um título, hoje, na Europa. Os jogadores que estão acostumados a ganhar títulos mais perdem do que ganham. Então, você imagina a gente, ainda em um patamar um pouco abaixo de Barcelona e Real Madrid, ter esse tipo de competição. Claro que o perfeito seria juntar a boa temporada pessoal com a coletiva, mas foi como falei, viemos de dois anos de transição, com mudança de dono do clube, de diretores, são situações que fizeram com que o Valência tenha tido as duas últimas temporadas um pouco irregulares.

Diego Alves está no Valência desde 2011 / Foto: REUTERS

Diego Alves está no Valência desde 2011
Foto: REUTERS

Agora, com o fim da temporada, começam a chegar algumas notícias surpreendentes...

Olha, também me surpreendi muito com algumas (risos).

O ciclo no Valência está chegando ao fim? Falam de negociação com Roma, Flamengo...

Tenho contrato até o fim de 2019 e, hoje, para eu sair do Valência, tem de haver uma negociação com o clube. Sei que estamos em momento de especulações, falando de Roma, de Flamengo... Acho que é normal, porque, no mercado de verão da Europa, especulação tem para todos os clubes, todos os jogadores. Sobre o Flamengo, acredito que seja mais um desejo por parte da torcida. Não recebi nenhuma informação em relação a nenhum desses clubes, então, o pensamento ainda está voltado para o Valência. Até o momento em que um desses clubes, ou qualquer outro, entre em contato com o Valência, sou jogador do Valência e tenho contrato em vigor.

Mas encararia uma mudança agora?

Tenho seis anos de Valência. Tudo vai depender da oportunidade. Do que o clube também quer. Sei que o Valência passa por uma reformulação financeira, o que leva a mudanças no plantel, mas vou ter de voltar para a Espanha para saber o que pode ser feito na temporada que vem. Então, todas essas especulações, se o Diego fica ou não fica... Tenho contrato em vigor, vou voltar e, a partir daí, decidir qual será o meu futuro.

Ou seja, se nada acontecer, continua no clube sem problema algum?

Sou jogador do Valência, tenho contrato até 2019 e, se não chegar a acordo com nenhum clube, seguramente estarei no Valência na temporada que vem.

Você parece estar com um pé bem fincado na seleção. Não acho que precise da manobra de voltar para o Brasil para jogar e garantir a Copa. O Tite parece confiar em você...

Puxa, tomara! (risos)

Você acha que estou sendo muito otimista? (risos)

Não sei, não sei, nunca sabemos como vai ser. Eu acho que todos os jogadores convocados anteriormente têm condições de estar na seleção brasileira. Todos estão sendo observados. O momento é de estar jogando, estar bem fisicamente e esperar para ver se teremos a oportunidade ou não de seguir.

Pois é, meu raciocínio passa por isso. Você vem bem e está nesse caminho. Tem essa condição na Europa.

Sim, verdade. Tenho dez anos de Europa e não posso negar que se trate de um mercado importante. Mas tem de ver, também, qual é a vontade do meu clube e quais são as opções. Como falei, se eles têm algum planejamento, sentaremos e veremos qual a melhor opção. Mas tenho a mesma opinião que você, essa história que eu tenho na Europa fez com que eu tivesse esse mercado e essa consistência.

Mas voltaria para o Brasil, se caminhasse para esse lado?

Nunca neguei uma volta ao Brasil e nunca vou negar, porque não sei o que vai acontecer no futuro. Existe a possibilidade de voltar para o Brasil? Pode ser. Hoje, existem clubes que estão muito bem estruturados, têm bons CTs, são importantes. Na época em que eu saí, me lembro de que existia uma crise gigantesca, o próprio Atlético-MG atravessava uma crise financeira importante. Hoje, vejo clubes muito mais bem preparados do que naquela época. Se eu voltaria para o Brasil? Depende da situação, se o Valência negociaria, se seria bom para mim, para o Valência. Tudo seria conversado.

Os clubes do Brasil deram um salto de qualidade, não?

Isso é importante, faz com que se tenha uma qualidade melhor de jogo, que os jogadores se adaptem mais rapidamente ao estilo de jogo do treinador, que os jogadores que vêm de fora, com estilo de futebol diferente, já se adaptem ao futebol com um bom campo, bons equipamentos para treinar. Isso é fundamental.

Há clubes até mais bem estruturados do que os médios da Europa, você diria?

Claro. Hoje, na verdade, na Europa, tirando os grandes, mesmo, os top 10, top 8 do mundo, em nível de estrutura, o Brasil ganha de muitos dos demais. Por exemplo, os CTs do São Paulo, do Corinthians, do Atlético-MG, posso falar dez que, se for para a Europa, dificilmente vai encontrar nessa quantidade em uma Liga Espanhola, por exemplo. Então, isso é um salto de qualidade.

E seduz quem está fora, né, porque financeiramente, claro, não vai igualar...

Isso é um passo muito bom para que os jogadores possam voltar e ter a consciência de que vão trabalhar em um lugar bom, com estrutura. Isso é fundamental.

Você teve paciência para chegar e se estabelecer na Europa. Foi passo a passo?

Sempre é assim, sempre. Se não tem paciência quando chega na Europa, pode tomar decisões precipitadas. Temos mil exemplos disso. Não é fácil. Eu, por exemplo, cheguei com 21 para 22 anos, e é uma mudança drástica no sentido de cultura, de estilo de jogo. Você tem de se adaptar. E eles tentam fazer com que você se adapte rapidamente, porque isso vai fazer com que melhore o rendimento. E, às vezes, não entendemos, porque queremos jogar, jogávamos em outro lugar, éramos titulares, com mais de 60 partidas no ano. Mas hoje, com a cabeça mais experiente, sei que paciência é um dos fatores importantes para um jogador triunfar no exterior.

Por isso que muita gente bate e volta, né?

Às vezes, não existe uma possibilidade de jogar a maioria dos jogos. Tem jogador que joga apenas a Copa do Rei ou só a Liga, então, faz com que perca a paciência, receba uma oferta de um clube considerado bom do Brasil e já queira voltar rapidamente, tomando decisões precipitadas.

Isso aumentou com mercados emergentes, como China?

Hoje, a disputa com esses mercados é difícil. Competir com essas potências financeiras é mais complicado. Na Espanha e na Inglaterra, muitos jogadores foram para a China. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que a China está querendo construir o que vários países já têm, que é essa estrutura da qual estamos falando, centros de treinamentos, campos. E agora, com o passar do tempo, tenho certeza de que vão mudando as regras, as leis e vão fazer com que os clubes na China tenham um pouco mais de segurança em relação aos jogadores, para que os caras não vão apenas para ganhar dinheiro e, depois, voltem para as ligas mais competitivas.

Porque acontece, né. O cara recebe a proposta absurda...

Acontece em toda profissão. As propostas da China são aquelas para as quais dificilmente o jogador vai dizer “não”. São propostas absurdas, difícil de brigar com as ligas mais poderosas financeiramente. Muito difícil competir com a China.

E, por outro lado, difícil julgar quem aceita.

Têm jogadores na China, hoje, que estão na seleção, jogando em alto nível. Quando falamos com eles, vemos que a liga está melhorando. Acredito que falta muito para competir com uma Espanha ou Inglaterra, mas, como falei, a cada ano vão melhorando, se estruturando e, quem sabe, daqui dez anos estarão em uma liga mais competitiva do que agora.

Falando em ser competitivo, um assunto meio recorrente quando se fala com você são as defesas de pênaltis. Olhando os números, são impressionantes. Você pegou 25, de 51 batidos contra você. Como é isso? Psicologicamente, é algo que mexe com você, não?

É uma coisa minha, uma característica, não foi criado. Defender pênalti nada mais é do que uma característica a mais no meu perfil de goleiro. Antes do pegador de pênaltis, vem o goleiro, o Diego Alves, que é muito mais importante do que defender qualquer pênalti. Só que pegar pênalti é uma característica natural. Lógico que, com o passar do tempo e com os números, isso dá confiança para você seguir, quem sabe aumentando isso.

Mas é muito bom quando você vê que bateu um recorde do Zubizarreta, não é?

Claro.

Não tem como dizer que isso não infla um pouco o ego.

Se eu me lembro bem, o Zubizarreta precisou de cento e poucos pênaltis para defender 16, e eu, com 40 e poucos, consegui chegar nesse número (Nota da redação: o ex-camisa 1 espanhol precisou de 102 pênaltis para defender 16; já Diego chegou ao número com apenas 39). Para mim, é um orgulho imenso. E eu acho que todos me respeitam nesse sentido, porque é um feito histórico. Às vezes, conversando com meu preparador de goleiros e outras pessoas, falam que vai ser muito difícil quebrar meu recorde. Tomara, tomara que meu nome siga lá por anos, anos e anos. Mas é uma coisa que me deixa bastante orgulhoso, sim.

Lembra-se de quando isso começou na sua carreira?

Ah, vem desde pequeno, é uma coisa minha, tenho facilidade nessa situação. Não sei por que motivo, mas é uma qualidade minha e, na verdade, não foi nada buscado. Aconteceu naturalmente. Nunca fiquei obcecado com esse tipo de coisa, “tenho de defender, tenho de defender”. Foi instintivamente saindo e chegou nesse nível.

O ex-goleiro argentino Goycochea dizia que esperava para pegar o pênalti mal batido. Qual é a sua estratégia?

Na verdade, cada goleiro tem a sua especialidade, seu estilo e sua técnica. Até mesmo porque é difícil defender um pênalti. Os jogadores estão chutando cada vez com mais força e têm muito mais opções do que nós. Mas acho que a tecnologia permite esse tipo de estudo, conhecer um pouco mais quem vai chutar, não apenas pênalti, mas bola parada, falta. Tudo isso ajuda. Acho, até, que a média de defesas de pênalti aumentou bastante nos últimos anos, porque existem times que fazem esse tipo de situação, de trabalhar em cima disso, de ver vídeos. Então, a cada ano vai se atualizando. Essa tecnologia, com certeza, também vai se atualizando e vai dificultando para os goleiros e para os batedores.

E esse duelo com o Cristiano Ronaldo? De quatro que ele bateu, você pegou três.

Para mim, esse duelo já terminou (risos). Não vai ter mais, não vai existir, vamos deixar assim, do jeito que está.

Pois é, não precisa mais ter pênalti, né!? (risos)

Não, eu não gosto de pênaltis (risos). É uma situação difícil, tanto para mim como para quem vai chutar. Claro que, às vezes, um pênalti pode definir um título, um jogo, um rebaixamento, e é uma situação de nervosismo, mas encaro com tranquilidade. Mas, mesmo assim, sabendo que é bem difícil defender um pênalti.

Você vê o exemplo do Cássio. Nem precisa falar a história dele pelo Corinthians. Um cara que conquistou praticamente tudo e tem atuações históricas, mas há quem pegue no pé dele por não defender pênaltis com mais regularidade. Por mais que tenha defendido um importante, no domingo passado, do Luan, do Grêmio.

Mas as críticas existem para tudo. Se você toma um gol que às vezes não é falha, vai aparecer alguém que nunca jogou no gol e dizer que é falha. Isso é normal, no Brasil, na Espanha, na China, em qualquer lugar. Agora, não pode obrigar o goleiro a defender pênalti, porque isso é difícil, complicado.

Por isso citei o Cássio. Na sua resposta, você diz que não é pegador de pênalti, é goleiro.

Claro, é isso.

E o Cássio, às vezes, é criticado por uma coisa específica, colocando tudo o que ele faz de muito bom de lado.

Mas isso pode acontecer comigo. Se eu não pegar dois pênaltis em uma decisão de pênaltis, podem falar: “Poxa, mas esse aí não era o que pegava pênaltis? Agora não pega mais?” O problema é que eu nunca dei esse motivo, né, porque sempre peguei, mas se passar um tempo sem pegar pênalti, vão começar a falar. Isso é normal.

O momento mais complicado da sua carreira foi 2015, quando teve a lesão, rompendo os ligamentos do joelho direito?

Foi, porque não consegui fechar a temporada. Faltavam 15 minutos para acabar o jogo e tive a lesão. Fiquei fora da Liga dos Campeões, fora da Copa América e, ali, poderia ter sido uma das melhores oportunidades, para mim, na seleção. Até mesmo depois, na Liga dos Campeões. Mas fazer o quê? Convivemos lado a lado com as lesões, porque não tem hora para machucar. Temos de estar preparados para o bom e o ruim, e com certeza foi um momento difícil, porque nunca havia passado por nenhuma lesão grave. Essa me deixou fora por oito meses.

E como foi esse período?

No momento em que me machuquei, a única coisa que pedi para o fisioterapeuta que fez o primeiro exame manual foi: “Olha, se arrebentou o cruzado, me fala diretamente. Não precisa de ‘vamos ver’, ‘vamos esperar’, ‘vamos criar uma expectativa’. Pode me falar, porque, aí, já preparo a minha cabeça para o que vier”. Ele falou que tudo bem. Fez o exame e me disse: “Você está com o joelho arrebentado”. Eu respondi: “Tudo bem”. Claro que bate uma tristeza, mas foram cinco minutos e logo já falei que tinha de me superar, me recuperar. E foi um momento de superação importante, porque só quem passa por esse tipo de situação sabe o quanto é difícil. Mas, ao mesmo tempo, foi prazeroso poder voltar, depois de tanto tempo fora, porque você começa a dar valor para muitas coisas.

E o futebol é tão legal que, no ano seguinte, você tem a chance de voltar para a seleção e disputar a Copa América de 2016...

Foram quatro jogos que eu disputei, depois da lesão, e fui convocado para a seleção. O Dunga, naquela época, depositou confiança em mim, e fiquei muito agradecido, porque sei da dificuldade que é chegar em uma seleção brasileira, ainda mais depois de uma lesão tão grave. Então, eu fiquei feliz, agradecido e, quando fui convocado para a Copa América, tentei desfrutar dos minutos com o pessoal. Uma pena que não pude jogar, mas, ao mesmo tempo, consegui estar ali no meio da galera. O ambiente da seleção é muito bacana.

Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para você, naquele momento?

Sim. Porque, quando você cai no esquecimento, você está fora do campo, do seu território, muitas coisas acontecem. Você está acostumado à mídia, ao pessoal te criticar, falar bem, falar mal, e, quando fica fora, você só pensa na sua recuperação, só trabalha para você, para mais ninguém. Foi um momento de felicidade, por ter vencido essa barreira.

E como trabalha na cabeça o momento atual na seleção?

O trabalho é o mesmo. Sabemos que falta um ano até o Mundial, e acho que todos os jogadores que têm chances de ir vão trabalhar da maneira mais correta para poder chegar bem física e psicologicamente no fim da temporada, quando se vai juntar o grupo. Acho que o Tite tem um leque grande de jogadores e vai saber escolher os melhores.

Não tem como não pensar na Copa, né?

Está longe mas está perto, né. (risos)

Diego Alves: ENTITY_apos_ENTITYNão dá para ficar obcecado com a Copa do Mundo. Tem de se preparar para elaENTITY_apos_ENTITY / Foto: Pedro Martins/MoWa Press/13-6-2017

Diego Alves: ENTITY_apos_ENTITYNão dá para ficar obcecado com a Copa do Mundo. Tem de se preparar para elaENTITY_apos_ENTITY
Foto: Pedro Martins/MoWa Press/13-6-2017

Bate a ansiedade?

Acho que o trabalho tem de ser feito da mesma maneira. Não pode ficar obcecado, também, em esperar a Copa, se reservar para a Copa. Tem de se preparar para o Mundial. Aí, se estiver ou não, pelo menos vai saber que fez tudo correto para estar na Copa do Mundo. Acho que esse é o pensamento mais importante, se preparar bem.

Ter um cara como Tite dá uma tranquilidade, pela maneira de ele tratar com os jogadores, por ser muito correto?

É. O Tite é uma pessoa muito correta, que passa muito bem aquilo que sente e quer. Tive a oportunidade de trabalhar com ele no Atlético-MG, em 2005, e agora, na seleção. E o Tite sempre foi essa pessoa emotiva, que transmite essa emoção e gosta do companheirismo, do profissionalismo. É um treinador que consegue tirar o melhor de cada jogador, mesmo sabendo da condição de cada um. Ele tem isso de sempre tentar deixar o jogador no melhor nível possível.

E, definitivamente, a seleção já recuperou seu patamar e seu respeito?

Era uma situação difícil, né, porque o Tite entrou em uma situação bastante complicada. Era ou ganhar e começar a voltar a confiança de vencer jogos, conquistar a própria confiança da torcida brasileira, ou não. E ele conseguiu ganhar e reconquistar essa confiança. Nesse pouco tempo que teve nas Eliminatórias, resgatou essa identidade com o torcedor. E isso faz com que o jogador passe a render bem, como o caso do Neymar, do Philippe Coutinho e outros que rendem em nível espetacular na seleção.

Para quem viu o 7 a 1 de fora, como foi?

Eu estava viajando, para me apresentar na Espanha. Quando cheguei e liguei a TV, estava 1 a 0 ou 2 a 0, não me lembro. E, puxa, foi um choque, né. Ninguém poderia esperar que, em uma semifinal, fosse acontecer aquilo. Mas futebol tem disso. Se você está em um dia mal e o outro time, em um dia muito bom, pode acontecer. Mas a ocasião, na semifinal, no Brasil, com a seleção brasileira, machucou bastante. Ainda tem um pouco... Não sei se é mágoa, a palavra, mas o torcedor brasileiro tem isso. Foi importante se classificar para o Mundial, para o torcedor dar uma relaxada e saber que a preparação para a Copa é importante.

Brasileiros que jogam na Europa dizem que, mesmo sem estar no 7 a 1, sofreram um pouco as consequências do resultado. Nem que seja em uma simples brincadeira. Aconteceu com você?

No mundo todo. É o que eu falo: nós, brasileiros, ainda mais os que jogam fora, sabemos o respeito da seleção brasileira. E, quando acontece esse tipo de situação, mexe com todo mundo. Na Espanha, teve um caso em que o pessoal vinha e dizia: “Ah, vocês perderam de sete, hem!”. Mas a gente respondia: “E vocês, que nem chegaram lá? Que foram eliminados na primeira fase?” Sempre tem esse tipo de brincadeira. Para nós, dói um pouco mais, porque era no Brasil e era a oportunidade de conquistar um Mundial em casa, mas já passou, foi até superado, a seleção deu a volta por cima, recuperou o apoio da torcida. O que é importante para fazer uma boa Copa em 2018.

E acha que chega mais forte na Rússia do que chegou em 2014, mesmo sendo em casa?

Claro, porque os jogadores de 2018 já tiveram a experiência. A maioria já disputou um Mundial, e tudo na vida é experiência. Foi uma situação que fez o povo sofrer, mas que, hoje, amadureceu bastante os jogadores que participaram daquele Mundial. Em 2018, com certeza, estarão muito mais bem preparados.

Você acompanha o Brasileirão?

Quando tenho tempo, consigo. Agora nas férias, mais.

E qual o seu palpite?

Está muito cedo. Corinthians e Grêmio estão com uma regularidade muito boa, neste começo, mas os grandes sempre chegam no fim. Palmeiras, Flamengo... Ouvi as pessoas dizendo que Corinthians x Grêmio seria uma final. Puxa, uma final na décima rodada é um pouco difícil, mas gerou um ambiente de final. Mas acho que os times de baixo vão chegar, e o problema é que, quando esses times embalam, criam pressão. Com certeza, os grandes vão chegar e apertar.

Hoje, avaliando a carreira, até aqui, que conclusão tira?

Foi um objetivo sonhado e um objetivo conquistado. Com muito trabalho.


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