Diário de S. Paulo

18/06/2017 - 20:08

Parada LGBT lota a Paulista em busca do Estado laico

Três milhões de pessoas, segundo a organização, participaram da maior festa da diversidade no mundo. Famílias e turistas de todo o país compareceram

Por: Agência Brasil

Foto: Divulgação

A capital paulista foi tomada, na tarde deste domingo (18), por três milhões de pessoas que participaram da 21ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros).

Com o tema "Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado laico" , o evento começou por volta das 13h, na Avenida Paulista, sob o comando da drag queen Tchaka, que do alto do primeiro dos 19 trios elétricos convidou o público a fazer a contagem regressiva para o início da manifestação.

Em seguida a presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Claudia Regina dos Santos Garcia, falou sobre a importância da temática desta edição.

"Todos vocês têm direito de voltar para casa sem enfrentar a homofobia, sem enfrentar desrespeito e nem agressão. Nada pode afetar o nosso direito de amar, o nosso direito de ser quem somos", afirmou.

Vestida de branco, a apresentadora e modelo Fernanda Lima, madrinha da parada este ano, disse estar feliz por representar a comunidade LGBT.

"O Estado é laico. A religião é uma opção individual de cada cidadão e não tem nada a ver com o direito civil, com o direito da sociedade como um todo. Vamos ser livres, sejam o que quiserem, desde que estejam dentro da lei", disse.

As cantoras Daniela Mercury, Anitta, Lorena Simpson e Naiara Azevedo foram as principais atrações do evento. Considerado o maior evento do tipo no mundo, a parada foi patrocinada por instituições e empresas que apoiam o movimento LGBT.

O percurso, de 3,5 km, seguiu da Avenida Paulista em direção à Rua da Consolação. O show de encerramento ocorreu no Vale do Anhangabaú, na região central, com a cantora Tâmara Angel.

Participação/ Jovens, crianças, idosos e famílias que apoiam a causa da diversidade compareceram à festa. A jornalista Luiza Barros levou a filha de 2 anos para ver a parada.

"É a primeira vez que trago ela e acho importante esse encontro e o entendimento da diversidade e do respeito com as escolhas. E é claro, a alegria e diversão que tem, o clima de festa."

Amigo de Luisa, o professor Roberto Marques veio passar o feriado em São Paulo e não sabia da parada, mas a filha adolescente o convenceu a ficar para a festa. Para ele, a parada é importante para dar um "choque" nas pessoas. "É importante a visibilidade", disse.

Morador de Niterói, no Rio, Marco Antônio de Pereira Azevedo Júnior está na parada pela terceira vez. "O tema deste ano é maravilhoso. É um tema que se dirige a uma bancada religiosa que é reacionária, por isso a importância de se falar disso."

Acompanhada do marido, a farmacêutica Elissa Beneguine esteve pela primeira vez na parada. Ela disse que foi ao evento porque apoia a comunidade LGBT. "Sou uma pessoa que trabalha contra todo o tipo de discriminação, é preciso liberdade e respeito às diferenças", defendeu.

Além da causa da diversidade, a parada também aqueceu a economia paulistana. Segundo levantamento feito pelo Observatório do Turismo durante a edição de 2016, o gasto médio individual na cidade dos entrevistados foi de R$ 1.502,91, considerando despesas com hospedagem, alimentação, transporte e lazer. Já os paulistanos gastaram, em média, R$ 73,82 na Avenida Paulista durante a parada. /Agência Brasil

Publicado no diariosp.com.br: 19/06/2017, às 14:49:53


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