Diário de S. Paulo

17/05/2017 - 20:43

Grupos de bairro se unem para manter maternidade ativa

Após dois dias do fechamento do serviço na Santa Casa de Santo Amaro, entidades querem tentar reabrir. Unidade foi fechada por causa de dívida

Foto: Nelson Coelho/Diário SP

Entidades da Zona Sul se reuniram, na quarta-feira (17), com um objetivo em comum. Querem reativar a maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, na mesma região.

A unidade encerrou os serviços para gestantes na terça-feira, como o DIÁRIO já havia adiantado. O motivo de fechar as portas da maternidade foi uma dívida superior a R$ 21 milhões. Desde 2010, a Santa Casa tem recorrido a empréstimos bancários para conseguir pagar os médicos e manter o atendimento oferecido.

Sem um reajuste na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) e um aumento no repasse da Prefeitura, a direção da Santa Casa precisou analisar os gastos e como a maternidade traz um prejuízo de R$ 430.679,34 por mês, foi a escolhida para ter as portas fechadas.

A notícia não agradou pacientes, representantes de associações e moradores, que também mostraram sua insatisfação. Agora, juntos, eles tentam ajudar a unidade filantrópica.

Segundo o presidente do Rotary Club de Santo Amaro, Antônio Miguel, o bairro perdeu ao menos quatro unidades de saúde e não pode perder mais uma. "A gente percebe que aqui no Brasil não tem essa prioridade com a saúde", disse à TV Globo.

Durante a reunião,  os representantes das entidades criaram uma comissão para acompanhar o caso. Eles querem ver os gastos da Santa Casa para fazer um novo pedido à Prefeitura.

"Queremos ver primeiro como os recursos estão sendo administrados", explicou o conselheiro da Associação Comercial de Santo Amaro, Gilberto Marques Bruno.

Mesmo com as pressões dos moradores e pacientes, a gestão João Doria (PSDB) não sinalizou que vai aumentar o repasse à unidade, que não acontece desde 2012.

A parceria firmada entre o município e a unidade filantrópica pactua 237 partos por mês. Só em 2016, o serviço realizou 2.724.

A Santa Casa tinha 27 leitos de sua maternidade e dez vagas na UTI neonatal.


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