Diário de S. Paulo

18/04/2017 - 15:50

Obra abandonada de escola volta à estaca zero

Quatro meses após o DIÁRIO mostrar construção, local continua abandonado. Tem até água parada

Foto: Arquivo Pessoal

Ana Paula Bimbati

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O estudante Marcelo Borges, de 17 anos, pensou que iria conhecer o novo prédio da Escola Estadual Guerra Junqueira, em Guaianases, na Zona Leste, antes de terminar o Ensino Médio, mas já perdeu todas as suas expectativas. "Agora só quero que fique pronta logo para ajudar as pessoas da comunidade onde eu moro."

Borges estuda na unidade desde o 5º ano e ficou animado quando soube que a escola passaria para um espaço melhor. Porém, desde o início da construção, ele e seus colegas vivem um drama: a obra foi abandonada duas vezes.

Em dezembro do ano passado, o DIÁRIO mostrou o primeiro abandono. Moradores, pais e alunos da região relataram que a obra estava paralisada desde janeiro de 2016. Eles contaram que, sem funcionários, o local havia se tornado ponto de droga e um paraíso para os bandidos, que chegaram inclusive a furtar materiais de construção. 

Na outra ponta do problema, a Secretaria Estadual de Educação disse à reportagem, na época, que a empresa responsável havia abandonado a obra por falta de segurança. Após o contato do DIÁRIO, a pasta afirmou também que uma nova construtora iria retormar os trabalhos. 

Os alunos comemoraram e chegaram a "ouvir barulho de obra" até março. Desde então, a obra está às moscas. E a justificativa da pasta da Educação não mudou. "O contrato foi rescindido após a empresa responsável alegar falta de segurança no canteiro de obras", explicou, em nota.

Mas o presidente da Associação dos Moradores do Jardim São Paulo e Adjacências, Geraldo Sá, não acredita na versão do governo estadual. "É falta de vontade e eles (Secretaria) ficam tentando encontrar uma justificativa para o abandono."

Já o estudante Borges pontuou outro motivo para a paralisação da construção. "Aqui é periferia, se fosse em um lugar com bastante visibilidade essa obra estaria pronta há muito tempo. Tenho certeza, porque as coisas funcionam assim."

A balconista Fernanda Soares, 33, é mãe de uma das alunas (Jéssica, de 15 anos) e tem o mesmo discurso. "Os alunos criaram uma expectativa com a novidade da nova escola. Foi até bom, porque ficaram mais estimulados, mas acontecer uma coisa dessas (abandono das obras) desanima qualquer pessoa, até nós que somos pais."

A obra deveria ter sido entregue em janeiro. A nova data de conclusão da obra não foi informada pela pasta da Educação. Enquanto isso, o prédio resume-se a um esqueleto com três andares. Curiosamente o último deles , onde seria construída a quadra esportiva, já é o lugar favorito de muitos alunos que sonham com o local pronto, como Borges, que se forma este ano.

Obra parada

Foto:

Reportagem mostrava que obras estavam paralisadas havia 10 meses na escola e local havia virado ponto de tráfico de drogas

_Data: 22/12/2016

RESPOSTA DA EDUCAÇÃO

Nova licitação

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo disse que já investiu cerca de R$ 6 milhões nesta construção e o contrato foi rescindido após a empresa responsável alegar falta de segurança no canteiro de obras. Equipamentos teriam sido furtados e funcionários ameaçados. Uma nova licitação será feita.


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